Alimetação Privativa de Bezerros de Corte
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Agronegócio

Alimetação Privativa de Bezerros de Corte

Suplementos e rações de qualidade visando o bem estar do animal
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A alimentação privativa, mais conhecida por creep feeding, é o ato de suplementar o bezerro, em fase de aleitamento, em instalação que impede o acesso de sua mãe. Nestes locais é possível fornecer suplementos ou rações de alta qualidade, visando o desenvolvimento da categoria animal que é o futuro do rebanho.

O bezerro recém-nascido passa por mudanças anatômicas e fisiológicas do aparelho digestivo, que são afetadas pelo manejo nutricional adotado.  É fundamental que o rúmen tenha seu desenvolvimento acelerado, o qual depende da ingestão de alimentos sólidos e da produção de ácidos graxos de cadeia curta, principalmente os ácidos butírico e propiônico.

Bezerros criados em regime de pasto, de modo geral, ingerem leite e eventualmente consomem forragem, ação que se intensifica a partir do terceiro mês de vida. Apesar do leite ser um alimento de alto valor nutritivo e indispensável para o desenvolvimento inicial, não propicia o desenvolvimento do rúmen. Em adição, a forragem consumida na fase inicial não contribuí com o desenvolvimento funcional do rúmen.

Ao nascer, o rúmen do bezerro é pouco desenvolvido e precisa ser colonizado por microrganismos, dentre eles bactérias e protozoários. O leite não deve ocupar este compartimento e a água será muito importante para colonização dos microrganismos ruminais. Por isso, é fundamental que os bezerros tenham acesso a bebedouros limpos, bem posicionados e dimensionados, para que o consumo de água seja adequado. A ingestão de água é essencial para o maior consumo de alimentos sólidos.

Os microrganismos, inicialmente com predominância de bactérias amilolíticas e, na sequência, celulolíticas, sintetizaram produtos da fermentação que precisão ser absorvidos. A eficiência deste processo dependerá de papilas ruminais desenvolvidas e funcionais.  Para que haja fluxo dos fluídos ruminais, é necessário contração do sistema digestivo. Alimentos sólidos propiciam essas contrações.

Dentre os alimentos sólidos, aqueles ricos em carboidratos e proteínas estimulam a síntese dos ácidos bútirico e propiônico, que são mais desejados na fase inicial, visto que estão diretamente relacionados com o crescimento em tamanho e número de papilas.  Por este motivo que os alimentos, presentes nas rações e suplementos minerais protéico-energéticos, são primordiais a partir da primeira semana de vida dos bezerros.

Apesar de disponível ao bezerro, a ingestão de forragem não propicia desenvolvimento epitelial (papilas). Alimentos volumosos são importantes em estimular o crescimento da camada muscular do rúmen, mais um motivo para que alimentos concentrados sejam fornecidos a estes animais. O desenvolvimento precoce do rúmen favorece o desenvolvimento dos animais, tornando-os menos dependentes da alimentação líquida.

O alimento concentrado deve ser composto por ingredientes nobres, preferencialmente milho, soja e trigo. Pela incapacidade dos bezerros (pré-ruminantes) em metabolizar uréia, a mesma não deve estar presente em rações e proteinados designados para animais com idade inferior a quatro meses.

É desejável a presença na alimentação de coccidiostático, que tenha ação de promotor de crescimento e melhorador de eficiência alimentar. A lasalocida sódica, um aditivo ionóforo, altera o perfil de fermentação ruminal, propicia incremento no ganho de peso e melhora na conversão alimentar. As rações e os proteinados devem ter boa aceitabilidade, visando consumo adequado.

O sucesso desta suplementação dependerá da maneira como o produto será disponibilizado aos animais. A instalação deve ser posicionada em local preferido pelas vacas e acessível. Isto garante que os bezerros tenham acesso ao alimento com mais frequência e intensidade. A área disponibilizada no interior do Creep deverá ser de pelo menos 1,0 m2/bezerro, com espaçamento de cocho de 10 a 15 cm linear/cabeça.

Caso as vacas estejam recebendo proteinado com uréia, seria importante regular a altura do cocho, de modo que os bezerros não venham a ingerir estes produtos. Se estas práticas de manejo forem adotadas, certamente o desempenho será incrementado.

Em média, os bezerros consomem 200 a 250 g de suplemento protéico-energético/100 kg de peso vivo e, aproximadamente, 1,0% do peso vivo em ração. O ganho de peso adicional a desmama, quando comparado a animais não suplementados, varia de 30 a 45 kg e pode ser ainda maior.

É importante ressaltar que o ganho de peso será influenciado pela produção de leite das mães, quantidade e qualidade dos alimentos volumosos e concentrados e potencial genético dos animais.

A suplementação privativa de bezerros resulta em maior peso à desmama, maior padronização do lote, além de se tornarem independentes de suas mães precocemente. Indiretamente, os índices zootécnicos relativos à reprodução são melhorados. A frequência de mamadas é reduzida, causa aumento da frequência dos pulsos de LH e aumento da concentração de receptores foliculares para LH e FSH, contribuindo para ovulação e retorno do cio. A consequência será a redução do intervalo entre partos.

Por José Leonardo Ribeiro- Gerente de Produtos de Ruminantes da GUABI          

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