Alta no preço da soja favorecerá investimentos

Agronegócio

Alta no preço da soja favorecerá investimentos

A área cultivada com a oleaginosa deve se manter parecido com a última safra
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As recentes altas na cotação da soja, acompanhadas das boas projeções dos preços futuros da saca, devem contribuir para a ampliação dos investimentos em tecnologia nas lavouras de Mato Grosso do Sul durante plantio, com possibilidade de aumento da produtividade por hectare na próxima safra, segundo análise do pesquisador da área de soja da Fundação MS, Carlos Pitol.

De acordo com o pesquisador, neste ano, ainda que os preços praticados pela soja estejam melhores que no início do plantio do ano passado, a área cultivada com a oleaginosa no Estado deve se manter em patamares parecidos com a última safra, quando a soja ocupou pouco mais de 1,7 milhão de hectares em MS. "Até pode haver pequeno crescimento na área cultivada com soja, mas será pequeno, pois os produtores dificilmente vão incorporar área menos produtivas", disse Pitol.

Ele acrescenta, no entanto, que o reflexo do cenário positivo para a cultura neste ano deve resultar em aumento da produtividade por hectare, já que os investimentos – abandonados nos últimos anos – podem ser retomados. "A perspectiva de melhor desempenho nessa safra é baseada na maior qualidade das lavouras", ressaltou o pesquisador. Ele afirma que os atuais preços pagos pela saca e a renegociação das dívidas antigas reduziram a pressão sobre os produtores, de forma que os sojicultores podem ampliar os investimentos em insumos, como corretivos e adubação. "Teremos pouca incorporação e correção de áreas com baixa fertilidade, mas, em geral, as lavouras deverão ter melhor rendimento na próxima safra", completou.

Na safra 2006/2007, a área cultivada com soja em MS caiu mais de 10% em relação à safra anterior, com a desincorporação de quase 200 mil hectares da área plantada com soja no Estado. Na ocasião, as áreas com menor fertilidade foram as primeiras a ser abandonadas pelos sojicultores, uma vez que o custo para produzir nessas áreas era mais elevado e a receita com a venda da soja não cobria as despesas. Por este motivo, estas áreas devem se manter sem o cultivo da soja neste ano.

Neste mês, grande parte dos produtores já definiu qual a área que irá plantar com a oleaginosa, mas o Governo do Estado definiu vazio sanitário até o final de setembro, o que obriga os agricultores a iniciar o plantio somente em outubro. Na prática, alguns produtores antecipavam o início do plantio da soja para o dia 20 ou 25 de setembro, deixando as lavouras mais suscetíveis à doença da ferrugem asiática – o que motivou a definição pelo Governo do vazio sanitário. Hoje, Pitol acredita que mais de 50% dos produtores já estão com as sementes e insumos (herbicidas, inseticidas e fungicidas) negociados, aguardando o período adequado para iniciar o plantio.

Cana x soja

Questionado sobre o impacto da expansão da cana sobre as lavouras de soja de MS, o pesquisador Carlos Pitol afirmou que a soja não perdeu área significativa para a cana neste ano. "O plantio de cana ainda não é muito elevado porque as usinas estão apenas começando a se instalar no Estado", disse. Ele ressalta que em Maracaju, por exemplo, são poucas as áreas que cultivavam soja e migraram para a cana, mas a tendência é que o volume aumente nas próximas safras.

Segundo ele, os preços baixos na soja no ano passado favoreceram as usinas que conseguiram arrendar terras por oferecerem preços atraentes se comparados à receita da soja. Neste ano, no entanto, a recuperação dos preços da saca de soja já devolve equilíbrio à agricultura de grãos e leva muitos produtores a repensar se deve ou não arrendar as terras. "Notamos que os sojicultores gostariam de produzir cana em parte da propriedade e, posteriormente, fornecer a produção para as usinas, mas sem deixar de plantar", finalizou.


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