Análise de mercado do trigo
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Imagem: Pixabay
CHICAGO

Análise de mercado do trigo

Cerca de 69% da área de trigo de inverno, nos EUA, estava sob condição de seca, pelo menos até a metade de abril, segundo o USDA
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As cotações do trigo, em Chicago, após ultrapassarem os US$ 11,00/bushel durante a semana, não se sustentaram e fecharam a quinta-feira (21) em US$ 10,68/bushel, contra US$ 10,96 uma semana antes. Mas o mercado continua com viés altista. Isso porque, além da continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, nos EUA o clima continua ruim para o cereal, com o plantio do trigo de primavera atingindo apenas 8% da área esperada, contra a média histórica de 9% e um total de 18% semeado em igual momento do ano passado. Já o trigo de inverno apresenta apenas 30% das lavouras em boas condições, contra 53% um ano atrás. Este patamar de 30% é o pior desde 1996.

Cerca de 69% da área de trigo de inverno, nos EUA, estava sob condição de seca, pelo menos até a metade de abril, segundo o USDA. Em termos de embarques de trigo, os EUA chegaram a 432.253 toneladas na semana encerrada em 14/04, ficando dentro do esperado pelo mercado. Em todo o ano comercial o volume atinge a 18,1 milhões de toneladas, ou seja, 18% a menos do que o registrado em igual período do ano anterior.

Enquanto isso, na Rússia, os preços de exportação subiram, porém, o movimento exportador começa a dar sinais de enfraquecimento. Os preços do trigo com teor de proteína de 12,5%, para fornecimento em maio, a partir dos portos do Mar Negro, subiram dois dólares, chegando a US$ 370,00/tonelada FOB, no final da semana passada. (cf. IKAR) Já a consultoria Sovecon disse que a Rússia exportou 630.000 toneladas de grãos na semana passada, em comparação com 400.000 toneladas na semana anterior, porém, os preços do trigo no mercado interno russo caíram em meio ao enfraquecimento da demanda dos exportadores, que estariam se aproximando do limite de suas cotas e estão preocupados com o aumento do imposto de exportação.

E no Brasil, os preços do trigo se mantiveram estáveis, porém, com leve viés de alta. A média gaúcha, no balcão, fechou a semana em R$ 93,57/saco, enquanto no Paraná o produto permaneceu entre R$ 92,00 e R$ 98,00/saco. Enfim, segundo estudo da Fecoagro (RS), pelo preço atual do trigo recebido pelo produtor gaúcho, e considerando o preço do pão francês praticado nas padarias e varejo em abril de 2022, entre R$ 12,00 e R$ 13,00/quilo, a participação do trigo grão, comparando com o preço final do pão, é de apenas 14,2%. Se levar em conta o preço atual da farinha, na composição do custo do pão, esse percentual seria de 25,7%. 

Assim, o restante da composição do custo do pão fica por conta da mão-de-obra, gordura, fermento, energia, embalagens, tributos na cadeia produtiva, entre outros insumos que compõem o custo final da fabricação. Além disso, atualmente há o impacto inflacionário que grassa no país. Acompanhamento da Federação, com base em dados históricos da participação do preço do trigo na planilha de custos do pão, mostra que o impacto do cereal não passa de 20% na composição de preço do produto final.

Além disso, importante se faz salientar, segundo ainda o estudo, que o produtor rural, na cadeia do trigo, também sofreu uma inflação de custo de produção nos últimos 12 meses, de 51%, enquanto que o preço recebido pelo saco de trigo teve aumento de apenas 16,7% no mesmo período (a média gaúcha, um ano atrás, estava em R$ 80,06/saco). Mesmo assim espera-se um aumento na área semeada para o corrente
ano


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