Análise destaca integração entre mineração e agro
Goiás já apresenta um exemplo dessa integração
Goiás já apresenta um exemplo dessa integração - Foto: Canva
A competitividade do agronegócio brasileiro depende de uma cadeia mineral e química capaz de transformar recursos naturais em insumos estratégicos para a produção de alimentos. Segundo Wilson Antônio Borges, CEO da Expert Brasil Mining, a vulnerabilidade do país nos fertilizantes começa antes da lavoura e envolve mineração, Enxofre, ácido sulfúrico, ácido fosfórico e capacidade industrial.
Nessa estrutura, cada etapa interfere na seguinte. O enxofre é essencial para a produção de ácido sulfúrico, utilizado em importantes rotas de fabricação de ácido fosfórico e fertilizantes fosfatados. O processamento da rocha fosfática também pode gerar ácido fluossilícico, mostrando que a indústria de fertilizantes mantém conexões com outras cadeias químicas e minerais.
Goiás já apresenta um exemplo dessa integração. A CMOC Brasil atua nas cadeias de fosfato e nióbio e, em 2025, reportou cerca de 1,21 milhão de toneladas de fertilizantes, 951,2 mil toneladas de ácido sulfúrico, 261,7 mil toneladas de ácido fosfórico, 21,8 mil toneladas de ácido fluossilícico e 10.348 toneladas de nióbio.
O cenário reforça que a integração entre mineração, química e agricultura já ocorre em escala industrial. O desafio é ampliar essa lógica com novas minas, maior segurança no suprimento de enxofre, expansão da transformação química, aproveitamento de subprodutos, melhorias em infraestrutura e logística e estímulos a tecnologia e formação de mão de obra especializada.
A discussão, portanto, vai além do volume de fertilizantes importados. A competitividade agrícola também depende da capacidade de converter recursos minerais em uma cadeia industrial mais integrada, resiliente e eficiente, com velocidade de execução para ampliar a segurança mineral, industrial e alimentar.