Análise do mercado do milho
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Imagem: Pixabay
CHICAGO

Análise do mercado do milho

Neste sentido, na semana encerrada em 10/04 não houve avanço do plantio do cereal naquele país, com o mesmo ficando em 2%, contra uma expectativa do mercado em torno de 4%, sendo que a média histórica, para a data, é de 3%
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As cotações do milho, em Chicago, igualmente subiram nesta semana. O fechamento  desta quinta-feira (14), para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 7,90/bushel, contra US$ 7,57 uma semana antes. A alta das cotações em Chicago, além da guerra Rússia x Ucrânia, que complica o fornecimento de milho destes dois países, ao mercado mundial, se concentra nas dificuldades climáticas que surgem nos EUA neste início do plantio da nova safra.

Neste sentido, na semana encerrada em 10/04 não houve avanço do plantio do cereal naquele país, com o mesmo ficando em 2%, contra uma expectativa do mercado em torno de 4%, sendo que a média histórica, para a data, é de 3%. Por sua vez, notícia vinda do governo dos EUA dá conta de que o mesmo poderia autorizar um aumento da mistura de etanol de milho à gasolina. A mistura poderia passar de 10% para 15%, visando conter o avanço dos preços da gasolina naquele país. (cf. Agrinvest Commodities).

Por outro lado, a China voltou ao mercado estadunidense, comprando mais milho. De acordo com o USDA, foram compradas 1,02 milhão de toneladas do cereal, sendo 680.000 toneladas da safra 2021/22 e 340.000 da safra 2022/23. Há uma semana, a nação asiática já havia feito outra compra de milho, neste caso de 1,084 milhão de toneladas. A China tenta se proteger e garantir bons volumes do grão diante dos problemas que vêm sendo registrados em sua nova safra. Por conta de condições adversas de clima, há regiões de produção chinesa onde existem perdas de semente, e outras com dificuldades de plantio. Enquanto a safra anterior de milho da China passou de 270 milhões de toneladas, para esta nova safra se espera algo entre 250 e 260 milhões. (cf. Brandalizze Consulting).

Assim, este é o ciclo de compras chinesas mais agressivo desde março de 2020, "quando a China, em quatro semanas, comprou 11 milhões de toneladas de milho  estadunidense". Além das questões climáticas, os produtores chineses enfrentam os mesmos problemas que os demais produtores mundo afora, ou seja, os altos custos de produção, a escassez de fertilizantes e demais insumos, elevadas despesas logísticas e com combustíveis. (cf. Agrinvest Commodities).

Enquanto todos estes problemas se acumulam, o produtor rural na China ainda encara um outro desafio: regras rígidas anti-poluição, em especial contra a queima da palha. O governo chinês pediu aos agricultores que, em vez de queimar, usem máquinas para coletar os resíduos e enviá-los para usinas de energia próximas, onde podem ser queimados como combustível. Muitos produtores locais têm rejeitado o pedido, afirmando que a prática deixa a terra mais pobre, com a maior probabilidade de sofrer com a incidência de pragas e de perdas de sementes. (cf. Bloomberg).

Assim, diante deste conjunto de problemas que se acumulam, cresce na China um temor de que a produção desta nova safra de milho não seja suficiente para atender sua demanda, com a possibilidade ainda de um aumento de suas importações. Soma-se a tudo isso o fato de que muitos produtores chineses, que realizam trabalhos temporários nas cidades, estarem impedidos de voltar ao campo devido aos rigorosos lockdowns, promovidos pelo governo, devido ao novo surto de Covid-19 que atinge a China. Neste sentido, as províncias do nordeste do país sofreram semanas de restrições de deslocamento com as medidas mais duras, onde os casos de Covid-19 dispararam no início de março. O fornecimento de fertilizantes nas regiões atingidas igualmente foi interrompido, pelas restrições de transporte, e os agricultores já estão enfrentando preços recordes do insumo, bem como do diesel e outros custos.

E no Brasil, os preços do milho se mantêm estáveis, ainda com viés de baixa. A média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 85,11/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 73,00 e R$ 85,00/saco. O recuo se deve ao fato de que as expectativas, para a segunda safra de milho nacional, projetarem um volume acima do inicialmente esperado, podendo ser recorde se o clima ajudar. Espera-se 88,5 milhões de toneladas, o que representaria 45,8% sobre a frustrada safrinha do ano passado. Ao mesmo tempo, muitos consumidores estão estocados, deixando de pressionar o mercado.

Dito isso, no Rio Grande do Sul a colheita do milho de verão, atrasada pela seca e, posteriormente, pelas chuvas, chegou a 79% até o início da corrente semana. Mesmo assim ela está mais avançada do que no ano passado, quando atingia a 72% nesta época, e em relação a média histórica, que é de 67%. No Mato Grosso, as vendas da safra atual chegaram a 54,5% do total, ficando abaixo da média histórica, que é de 59% para esta época do ano. Enquanto isso, a safra de milho do próximo ano, naquele Estado, já está com 9% vendidos de seu total esperado. (cf. Imea)

E no Paraná, o plantio da safrinha foi concluído, sendo que 97% das lavouras apresentam boas condições, sendo que 10% das mesmas está na fase de frutificação. (cf. Deral) Em termos gerais, o mercado de milho brasileiro está quase paralisado, ocorrendo somente nos portos, pois os consumidores internos estão aguardando a entrada da safrinha, com a possível queda mais acentuada dos preços. Ajuda igualmente, neste raciocínio, a valorização do Real, que torna as exportações do cereal menos competitivas. Soma-se a isso o fato de que muitos consumidores, especialmente as indústrias de ração, estarem com estoques relativamente importantes. Neste contexto, a pressão baixista tende a continuar para as próximas semanas.


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