Agronegócio

Análise semanal do mercado de soja

Comentários referentes ao período entre 20/09/2013 a 26/09/2013
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Comentários referentes ao período entre 20/09/2013 a 26/09/2013

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Prof. Ms. Emerson Juliano Lucca²
Guilherme Gadonski de Lima³

As cotações da soja em Chicago, nesta última semana de setembro, registraram um leve recuo, puxado pelas chuvas que ocorreram no Meio-Oeste dos EUA. O fechamento do dia 26/09 ficou em US$ 13,16/bushel, contra US$ 13,39 uma semana antes.

Além do clima melhor, o início da colheita nos EUA ajudou a puxar o mercado. Sobretudo porque as primeiras lavouras colhidas estão registrando uma produtividade superior ao projetado inicialmente. Até o dia 22/09 cerca de 3% da área tinha sido colhida, contra 9% na média histórica. Além disso, segundo o USDA, 50% das lavouras estão em condições boas a excelentes, 33% regulares e 17% entre ruins a muito ruins. Vale ainda destacar que, após as chuvas da semana anterior, a umidade dos solos nos EUA passou, em Illinois, de 22% para 34%, e em Indiana de 30% para 50%. (cf. Safras & Mercado)


Essa clara melhoria da umidade deverá permitir a recuperação de muitas lavouras que estavam ameaçadas. Tanto é verdade que, confirmando nosso sentimento, o analista privado Informa Economics anunciou uma estimativa de safra de soja nos EUA em 87,7 milhões de toneladas em 2013/14. Isso é 2,04 milhões de toneladas acima do que o USDA havia projetado em seu relatório do dia 12/09.

Paralelamente, as inspeções de exportação estadunidenses de soja atingiram a 457.009 toneladas na semana encerrada em 19/09. No acumulado do ano comercial, iniciado em 1º de setembro, o volume atinge a 588.128 toneladas, contra 957.780 toneladas um ano antes. Já as exportações líquidas dos EUA somaram 923.300 toneladas na semana encerrada em 12/09, para o mesmo ano comercial.


Enquanto isso, na Argentina, a revisão dos números sobre a safra passada deram conta de uma produção final de 49,3 milhões de toneladas em 2012/13. Para esta nova safra a expectativa é de um volume entre 55 e 57 milhões de toneladas. A safra do ano que passou foi 22,9% superior à frustrada safra de 2011/12. Ao mesmo tempo, desta última safra 2012/13 os produtores argentinos já teriam comercializado 68% de sua totalidade, segundo Safras & Mercado.

Por sua vez, a China importou 6,37 milhões de toneladas de soja em grão em agosto, com alta de 44,1% sobre o total adquirido no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano as importações atingem a 41,05 milhões de toneladas, com alta de 4,4% sobre igual período do ano anterior.


Enfim, a semana encerrou com os prêmios portuários, para fevereiro próximo, entre 24 e 60 centavos de dólar por bushel no Brasil, entre 14 e 45 centavos na Argentina e entre 92 e 93 centavos de dólar nos EUA.

Quanto ao mercado brasileiro da soja, com este pequeno recuo em Chicago e a estabilização do Real ao redor de R$ 2,20 por dólar, os preços recuaram em termos médios. O balcão gaúcho fechou a semana em R$ 63,91/saco, enquanto os lotes ficaram R$ 71,00 e R$ 72,00/saco na compra. Nas demais praças, os mesmos oscilaram entre R$ 62,00/saco em Sapezal (MT) e R$ 71,00/saco no norte do Paraná.

A tendência continua sendo de preços menores até o final do ano em se confirmando uma safra mais importante nos EUA. Isso confirma a tendência de que os preços futuros atuais permanecem muito bons.

Neste sentido, no Paraná, para março, a compra em Paranaguá ficou em US$ 28,00/saco (R$ 61,60/saco ao cambio de hoje), contra um disponível atual de R$ 72,00/saco. Já no Rio Grande do Sul, o interior registrou o valor de R$ 60,00/saco FOB na compra para maio, enquanto o disponível fechou a semana em R$ 72,00/saco. No Mato Grosso, a soja foi cotada a US$ 22,80/saco para fevereiro em Rondonópolis. No Mato Grosso do Sul o valor foi de R$ 52,50 para março. Em Goiás a compra ficou em US$ 23,00/saco para fevereiro, enquanto na região de Brasília o saco registrou R$ 53,50 para abril. Em Minas Gerais, para abril, a compra esteve em R$ 55,00/saco. Na Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins, o preço futuro para maio ficou, respectivamente, em R$ 54,50; R$ 52,30; R$ 55,20; e R$ 51,50/saco. (cf. Safras & Mercado)


Enfim, o contrato futuro na BMF apontou, para novembro, valor de US$ 31,69/saco; para março US$ 28,58 e para maio US$ 27,73/saco.

Vale ainda destacar que as primeiras áreas brasileiras no Norte do país já começam a receber a semeadura da nova safra de soja.

¹ Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
² Professor, Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.
³ Estudante do Curso de Economia da UNIJUI – Bolsista PET-Economia.
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