A desaceleração da inflação em outubro veio acompanhada de uma pressão maior dos alimentos e dos combustíveis sobre o orçamento das famílias. Segundo o Rabobank, o IPCA-15 subiu 0,32% no mês, abaixo dos 0,70% de setembro, mas a composição do resultado indica que a redução da inflação ainda ocorre de forma gradual.
O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,88%, ante 0,40% no mês anterior. Dentro de casa, a alta dos alimentos passou de 0,38% para 1,01%. Tomate, cebola, batata-inglesa e arroz tiveram aumentos de 24,54%, 13,63%, 10,96% e 5,80%, respectivamente. A instituição avalia que o movimento pode refletir a sazonalidade e os primeiros efeitos do El Niño, mantendo as condições climáticas entre os fatores de atenção.
O alívio no índice geral veio principalmente da energia elétrica residencial, que recuou 0,89% após a mudança da bandeira tarifária amarela para verde, e das passagens aéreas, com queda de 9,24%. Esses movimentos ajudaram a compensar as pressões em outros itens, levando o resultado mensal a ficar abaixo dos 0,44% esperados pelo mercado e dos 0,42% projetados pelo banco.
Nos combustíveis, a variação passou de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro. O diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina aumentou 0,92%. Para a instituição, a aceleração desse grupo e da alimentação reforça a necessidade de acompanhar seus preços nos próximos meses.
A pressão também ficou mais disseminada. O índice de difusão, que mostra a proporção de itens com aumento de preços, passou de 53,7% para 58,9%. Já os serviços subjacentes aceleraram de 0,28% para 0,45% no mês, sinalizando persistência de pressões mesmo com a desaceleração dos serviços em geral.
Em 12 meses, a alta acumulada do IPCA-15 passou de 4,5% para 4,6%. Diante dessa leitura mista, o banco manteve as projeções de inflação de 5,1% para 2026 e de 4,1% para 2027. A avaliação é que o resultado mensal mais baixo representa um sinal favorável, enquanto alimentos, combustíveis e serviços ainda exigem atenção.