Angus ganha espaço no Paraná

Agronegócio

Angus ganha espaço no Paraná

Solo e alimentação perfeitos para a criação de Angus
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Ponto de abate mais cedo, carne de qualidade superior e garantia de liquidez maior da raça atraem pecuaristas

A cada ano, a raça Angus ganha mais espaço no Paraná. Suas características peculiares têm agradado não só o paladar do consumidor, mas também o pecuarista que usufrui do alto índice de liquidez. Nos últimos cinco anos, a Angus cresceu 192% no mercado de inseminação do País. Em 2010, a venda de sêmen da raça atingiu 1,8 milhão de doses, ocupando 30% do mercado total de sêmen de gado de corte do Brasil.


A Angus é a principal raça criada nos países produtores de carne de qualidade, como Estados Unidos, Argentina, Austrália e Uruguai. Os animais entraram no Brasil em 1906, por meio de criadores gaúchos. Há aproximadamente três décadas, a raça começou a se espalhar pelo País, tanto com animais puros quanto os resultantes de cruzamentos industriais, estratégia que se fortaleceu nos últimos anos.

De acordo com Fábio Schuler Medeiros, médico veterinário do Programa Carne Angus, a fusão é interessante porque a raça tem uma característica de qualidade superior às demais e que agrega, tanto no cruzamento com os zebuínos quanto com os taurinos, uma melhora na terminação desses aninais. Eles chegam ao ponto de abate mais jovens, produzem carcaças mais gordas e têm maior deposição de gordura intramuscular - o chamado marmoreio -, que confere mais maciez à carne.


Por essas características de qualidade de carne e por complementar tão bem o zebuíno e as raças taurinas continentais - o que acontece no Paraná -, a Angus hoje é a segunda raça bovina mais criada no Brasil, ficando atrás apenas da Nelore, que representa a maioria do rebanho nacional. ''Os 30% ocupados pela Angus no mercado de inseminação e o crescimento sustentado ao longo de tantos anos dão a segurança de afirmar que o produtor está tendo benefícios com a raça'', observa Medeiros. O Paraná, segundo ele, tem condições de clima, de solo e de alimentação perfeitos para a criação da raça.

Nas regiões quentes do Brasil predominam os zebus porque são animais resistentes ao calor e a parasitas, no entanto, eles são deficientes na qualidade da carne e deposição de gordura. O Angus entra no cruzamento com o zebu agregando, sobretudo, a facilidade de terminação dos animais e qualidade de carne.


Por ser proveniente da Europa, onde o clima é mais frio, a Angus tende a se adaptar a temperaturas mais amenas, enquanto o zebuíno, oriundo da Ásia, a ambientes mais quentes. ''Já temos registro de Angus em estados que têm temperaturas mais elevadas como o Pará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. Queremos mostrar que eles se adaptam a regiões mais quentes'', relata Flávio Montenegro Alves, criador da raça no Rio Grande do Sul e técnico da Associação Brasileira de Angus (ABA).

A fêmea meio sangue, segundo o médico veterinário Antônio Francisco Chaves Neves, técnico da Associação, é um excelente animal para a cria por ser mais precoce. ''Conseguimos emprenhá-la de seis a oito meses antes com uma matriz zebu e, consequentemente, adiantamos o bezerro que vai nascer na próxima geração. Economicamente é uma raça muito viável'', atesta.


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