Anomalia climática afeta a produtividade da safra de grãos em São Paulo
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Agronegócio

Anomalia climática afeta a produtividade da safra de grãos em São Paulo

Arroz chegou a registrar queda de mais de 30%
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A colheita de grãos nesta safra está prevista em 6,1 milhões de toneladas, o que representa decréscimo de pouco mais de 20% em relação ao ano anterior, devido principalmente à anomalia climática (fenômeno que combinou escassez de precipitações, temperaturas médias elevadas e maior exposição solar) que influenciou a produtividade, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 


As culturas que apresentaram as maiores quedas em percentual de volumes produzidos e esperados foram: arroz de sequeiro e várzea (-35,8%), milho sequeiro e irrigado, da primeira safra (-30,7%), soja safrinha (-22,3%), amendoim das águas (-17,3%), soja e soja irrigada, primeira safra (-14,8%), milho safrinha (-14,4%), feijão de inverno (-11%) e o feijão da seca (- 6%). Os maiores percentuais de acréscimos em suas produções foram: triticale (178,0%) e trigo (51,5%), em menor proporção, algodão e feijão das águas, informam José Alberto Angelo, Ana Montragio Camargo, Carlos Bueno, Denise Caser, Mário Olivette e Vera Lúcia Francisco, pesquisadores do IEA. 

O levantamento realizado no campo em abril aponta queda da área plantada (5,7%) com a cultura de feijão, da safra da seca e espera-se uma produção de 44,9 mil toneladas, 6% menor que a safra passada, com a produtividade praticamente inalterada (-0,4%). Situação semelhante é verificada no primeiro levantamento de feijão de inverno (irrigado e sem irrigação), com expectativa de menor área plantada (12,5%) e de produção (11%). 


Na cultura de mandioca para indústria há expectativa de quedas na área (2,8%), totalizando 54,9 mil hectares, na produção (4,7%), devendo ser colhidas 922,2 mil toneladas, e na produtividade (3,3%). No caso da mandioca de mesa, produzida em menor escala (15,3 mil hectares), a produção deverá ser de 187,8 mil toneladas, 7,7% menor que a da safra 2012/13. Esse quadro de queda nesta atividade é decorrente da competição por terras, principalmente com as culturas de milho, soja e cana para indústria, como também pelo fato da colheita ser pouco mecanizada elevam-se os custos de produção com a contratação de mão-de-obra. 

A cultura do milho sequeiro e irrigado, primeira safra 2013/14, com cerca de 90% da colheita realizada até à época do levantamento, aponta para uma produção prevista em 2,43 milhões de toneladas, queda de 30,7% em relação à safra 2012/13. Quanto à segunda safra do milho, milho safrinha, o levantamento aponta retração de 16,0% de área plantada (277,9 mil hectares) ante a safra 12/13 e queda de 14,4% na produção (1,22 milhão de toneladas), com ganhos de produtividade em torno de 2%. 


A cultura do trigo vem sendo estimulada, dado os bons retornos econômicos, o que determina a decisão dos produtores paulistas de ampliar sua participação na área e nos tratos culturais, resultando em crescimento de área (16,1%).   

Para a cultura da cana de açúcar os resultados apontam diminuição na área nova (9,5%) e na produção (7,8%), com um volume de 409,8 milhões de toneladas, principalmente pela queda da produtividade que foi de 7,2%, em relação à safra passada, visto que a área em produção pouco se alterou. Esse quadro sugere à conjunção de dois fatores: o primeiro refere-se à crise do setor em relação ao preço do etanol, o que causa desestímulo ao setor sucroalcooleiro, e o segundo devido as condições climáticas adversas ocorridas no inicio da presente safra afetando a produtividade. 

Para a cultura da laranja, o levantamento demonstra a redução na área plantada, comparativamente à safra 2012/13. Na atual safra registra-se acréscimo de novas plantas, porém este aumento não compensa a diminuição das plantas em produção. Com isso a área total plantada apresenta-se 3,5% menor que a de 2012/13, atingindo a marca de 486 mil hectares, para a safra 2013/14. O volume total a ser produzido poderá atingir 289,6 milhões de caixas de 40,8kg (cerca de 11.815 mil toneladas), 1,1% maior que a obtida na safra passada que foi de 286,3 milhões de caixas de 40,8 quilos, visto que a florada foi abundante no final do ano passado. Esses números incluem tanto as frutas comerciais como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente, e as perdas relativas ao processo produtivo e às de colheita. Espera-se uma produtividade agrícola de 26.390 kg/ha, superior àquela obtida na estimativa final da safra em 4,9%. 

 

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