Como proteger apiários de alagamentos
Planejamento e cuidados após alagamentos ajudam a reduzir perdas nas colônias
Foto: Pixabay
A previsão de chuvas acima da média associadas ao El Niño acende um alerta para a apicultura na Argentina. Segundo dados divulgados pelo Governo da Argentina, o Programa de Apicultura do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA-PROAPI) recomenda medidas preventivas e estratégias de manejo para proteger as colônias, reduzir perdas e facilitar a recuperação dos apiários em caso de inundação.
Como preparar os apiários para as chuvas
A prevenção começa pela avaliação do local onde as colmeias estão instaladas. A orientação é evitar o contato direto com o solo, instalar as caixas sobre cavaletes e transferir as colmeias para áreas mais elevadas quando estiverem em terrenos baixos, sujeitos a alagamentos.
Também é importante verificar as condições sanitárias das colônias, garantir reservas de alimento e manter materiais limpos e secos disponíveis para substituir componentes danificados pela umidade.
Segundo Natalia Bulacio Cagnolo, pesquisadora do INTA Rafaela, na província de Santa Fé, as colônias devem estar em boas condições de saúde antes da chegada das chuvas mais intensas. Quando indicado pelo plano sanitário, o tratamento contra a varroose não deve ser adiado.
A pesquisadora também recomenda monitorar as reservas alimentares e fornecer fontes de energia e proteína quando a oferta natural não for suficiente. Durante períodos prolongados de chuva, as abelhas interrompem a busca por alimento, o que torna as reservas essenciais para reduzir os impactos sobre as colônias.
O que fazer com as colmeias após uma inundação
Assim que o acesso ao apiário for restabelecido, a primeira medida é avaliar os danos. “Apiários localizados em campos alagados exigem atenção imediata do apicultor”, observou Bulacio Cagnolo.
A inspeção deve identificar quais colônias continuam vivas, quais precisam ser removidas e quais equipamentos foram atingidos pela água. Ter materiais de reposição limpos e secos permite substituir rapidamente as partes das colmeias que tenham sido comprometidas.
Nas colônias que permanecerem ativas, a recomendação é substituir fundos úmidos, melgueiras e tampas internas por peças limpas e secas. Também é indicado reduzir o espaço interno com divisórias, principalmente quando as abelhas ocupam poucos quadros.
A medida ajuda a concentrar a colônia e favorece a ventilação e os cuidados das abelhas nutrizes com o ninho de crias.
Como recuperar materiais atingidos pela água
Os materiais submersos devem ser retirados assim que houver condições de acesso com veículos e transportados para um local seco, onde possam ser processados.
A cera pode ser recuperada, enquanto componentes inertes, como pisos, telhados e corpos de colmeia, podem passar por limpeza e desinfecção antes de serem reutilizados.
Quando não for possível chegar ao apiário com veículos, a orientação do INTA é reunir e empilhar os materiais em uma plataforma ou em outra área elevada. O objetivo é reduzir o contato com a água e evitar danos adicionais.
Atenção à varroose e à nosemose
O manejo sanitário deve continuar entre as prioridades após o alagamento. Se o tratamento contra a varroose não tiver sido realizado antes das chuvas, Bulacio Cagnolo recomenda incluí-lo entre as primeiras tarefas após a retomada do acesso ao apiário, conforme o planejamento sanitário.
Nas colônias submetidas à umidade excessiva, também é necessário observar possíveis problemas relacionados à nosemose. A alimentação suplementar deve ser reforçada quando as condições das colônias exigirem.
A avaliação individual dos apiários é fundamental para definir quais medidas devem ser adotadas durante a recuperação.
Alimentação das abelhas exige manejo adequado
A suplementação alimentar deve considerar a disponibilidade de recursos nas proximidades do apiário. Segundo as recomendações apresentadas pelo programa, o xarope de açúcar na proporção de 2:1 ou a ração em barra podem ser utilizados como fontes de energia.
A ração em barra é preferível nesse contexto por apresentar menor teor de umidade. Quando houver deficiência de pólen, também podem ser utilizados suplementos proteicos em forma de bolos com mais de 25% de proteína.
Esses suplementos devem ser colocados nos quadros da câmara de cria e substituídos conforme a colônia se recuperar.
Planejamento regional ajuda a reduzir prejuízos
O manejo após uma inundação exige reavaliar cada apiário e adaptar as decisões de produção à situação encontrada. A recuperação das colônias, os cuidados sanitários, o armazenamento e a alimentação precisam fazer parte de uma estratégia integrada.
As orientações seguem o Caminho Tecnológico proposto pelo Programa Nacional de Apicultura do INTA (PROAPI), que reúne práticas para apoiar a recuperação das abelhas e garantir os recursos necessários à continuidade da atividade.
As recomendações foram elaboradas a partir de uma oficina participativa sobre “Medidas de Manejo Diante do El Niño nas Diferentes Regiões da Argentina”, organizada pela Cátedra Aberta de Apicultura e pela Rede de Unidades de Demonstração, ambas vinculadas ao PROAPI. O trabalho resultou em orientações específicas para cada macrorregião do país.