Agronegócio

Após geadas, MS deve colher quase 4 mi de t de cana a menos que o previsto

As geadas registradas no Cone Sul do Estado atingiram as temperaturas mais baixas desde 1975, segundo o presidente da Biosul Roberto Hollanda,
Por: -Anderson Viegas
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As geadas que atingiram os canaviais do Cone Sul de Mato Grosso do Sul em julho e agosto e excesso de chuva em março, abril e junho, devem fazer com que o Estado colha quase 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a menos que o previsto no início da safra 2013/2014. A estimativa foi apresentada na manhã desta segunda-feira (30), pela Associação dos Produtores de Bioenergia (Biosul).
 
Segundo o presidente da entidade, Roberto Hollanda, a previsão inicial feita na abertura da safra, em abril, era que o parque sucroenergético do Estado colhesse 44,1 milhões de toneladas de cana, mas, com as perdas provocadas pela geadas e excesso de chuvas, esse volume foi reduzido para 40,3 milhões de toneladas, o que vai representar um incremento de 8,04% frente as 37,3 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2012/2013.

Hollanda diz que as geadas registradas no Cone Sul do Estado atingiram as temperaturas mais baixas desde 1975. Ele explica que o fenômeno atinge os canaviais fazendo com que a planta pare de crescer e tenha perda de sacarose.

“Como a cana para de crescer e começa a perder qualidade, as usinas mudam todo o seu planejamento para tentar retirar essa matéria-prima o mais rápido possível do campo. Com isso, uma cana que deveria ser colhida, por exemplo, em novembro, tem de ser colhida imediatamente, com menos massa e menor qualidade”, explica.

O presidente da Biosul comenta que o indicador que meda a qualidade da cana, o Índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) que no ciclo 2012/2013 foi de 136,8 por tonelada de cana e que conforme as primeiras estimativas da entidade poderia chegar a 138,8 toneladas por hectare na safra atual, deve cair para 127 toneladas por hectare.

Essa perda significativa na qualidade da cana, representa para o setor o equivalente a outras 3,5 milhões de toneladas de cana, conforme Hollanda. Somando o impacto na quantidade e na qualidade, ele estimati um prejuízo de R$ 600 milhões para o setor e projeta que a recuperação deve demorar entre duas e três safras.

“Além desta safra que foi comprometida, a próxima também foi afetada. Porque a cana que já havia sido colhida estava na fase de rebrota. Com a geada a rebrota foi afetada. Isso vai atrasar o início do próximo ciclo, possivelmente de abril para maio”, comenta.

Com menor quantidade de matéria-prima disponível, ele aponta que o processamento dos dois principais produtos do setor também será impactada. A de etanol crescerá apenas 1,81%, passando dos 1,915 bilhão de litros do ciclo 2012/2013 para 1,950 bilhão de litros no 2013/2014.

Já a produção de açúcar deverá sofrer um decréscimo, caindo de 1,741 milhão de toneladas para 1,700 milhão de toneladas.
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