Aquecimento global põe em risco produção de café e soja
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Agronegócio

Aquecimento global põe em risco produção de café e soja

O aumento da temperatura poderá reduzir pela metade a área de café no Brasil
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O aumento da temperatura global poderá reduzir pela metade a área de café cultivada no Brasil e em pelo menos 30% a da soja, colocando em risco o agronegócio brasileiro. Estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Informática Agropecuária), de Campinas (SP) são de uma necessidade de investimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em tecnologia para amenizar os possíveis impactos do aquecimento global.

As projeções do chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad, foram feitas a partir do relatório do economista britânico Nicholas Stern. Segundo ele, a temperatura em 2015 aumentará um grau - suficiente para fazer um estrago no campo, principalmente nas lavouras de café cultivadas em regiões montanhosas.

O fenômeno provocará influências negativas na produtividade do café por conta do déficit hídrico nas plantações, tornando inviável a florada e reduzindo na área plantada da commodity. O Vietnã, maior produtor de café robusta, tende a ser o principal prejudicado pelo clima, já que detém a maior produtividade.

Segundo ele, se nada for feito no Brasil nos próximos oito anos, a atividade cafeeira perderia quase 50% da área plantada - hoje de 2,3 milhões de hectares - com o aumento de um grau na temperatura. O dirigente da estatal alerta que em 30 anos a temperatura deverá aumentar três graus, exterminando até 73% da área de café. "Todo o planejamento do café teria de ser refeito’’, alertou Assad no 2º Fórum&Coffee Dinner, em São Paulo, promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No caso da soja, o percentual passaria de 20% a 30% para 70% da área quando a temperatura subir cinco graus.

De acordo com Assad, o avanço tecnológico pode minimizar as alterações climáticas no campo. O pesquisador diz que o uso da biotecnologia ajudaria com a criação de variedades resistentes ao clima seco. Ele acrescenta também a necessidade de investimento em arborização para sombrear as lavouras. Conforme Assad, a arborização reduziria entre 20% e 30% a quantidade de energia solar incidente no café e viabilizaria a lavoura nos mesmos locais sem a necessidade de redução da área.

O vice-presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Augusto Rodrigues de Melo, disse que o aquecimento do clima é um novo desafio para cafeicultura. "Os novos plantios terão que ser adequados às condições climáticas’’, diz Melo.


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