As frutas do Brasil
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Agronegócio

As frutas do Brasil

Fazenda no interior paulista cultiva espécies nativas de todo o País e fornece para grandes chefs
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Fazenda no interior paulista cultiva espécies nativas de todo o País e fornece para grandes chefs
Araçá-boi, jaracatiá, buriti, cambuci. Em cada canto do País tem um fruto que faz parte do dia a dia à mesa, ou da memória gustativa da população. Catalogar tanta diversidade pode ser um trabalho quase infinito. Mas disseminar sabores e aromas típicos do Brasil é um dos ideais do casal Douglas e Cintia Bello. Químico e psicóloga, eles começaram o projeto no Sítio do Bello, em Paraibuna, interior paulista, em 1999. Em 13 anos, o trabalho já rendeu frutos.

O terreno tem 10 hectares, ou seja, 100 mil metros quadrados. Cerca de 30% da área é dedicada à preservação ambiental. Para garantir um ambiente mais próximo possível do natural das frutas nativas, foi escolhido o método de plantio “agroflorestal”. “De forma natural, uma árvore ajuda a outra no decorrer dos processos, fazendo sombra, protegendo ou nutrindo as outras”, diz Cintia.

Para começar, foram escolhidas espécies nos quatro cantos do País. De tipos peculiares da região amazônica a outros do cerrado e do Sul. Alguns se adaptaram facilmente, como o pequi. No sítio, o famoso fruto do Centro-Oeste ganhou características diferentes de seu ambiente original, como o tamanho e o aroma. “A gente precisa entender que um produto pode mudar de aparência e até de sabor a cada safra, porque tudo interfere no cultivo”, garante ela, referindo-se a fatores como sol, chuva e temperatura.

A intenção de dar mais visibilidade aos frutos típicos do Brasil já tem boas consequências. Chefs renomados, aqui e no exterior, são clientes do Sítio do Bello. Cintia conta que Alex Atala – recentemente eleito o quarto melhor cozinheiro do mundo pela revista britânica Restaurant – é um dos amantes dos sabores nativos cultivados pelo casal. Bel Coelho, do Dui Restaurante, em São Paulo, e Ana Luiza Trajano, do Brasil a Gosto, também estão entre os apreciadores das frutas.

E como agregar valor a produtos ainda não tão conhecidos por muitos brasileiros? Esse é um dos desafios enfrentados por Douglas e Cintia. Além do repertório para pesquisa e desenvolvimento que possuem, eles acreditam que parcerias com chefs, por exemplo, podem dar respaldo e agregar ainda mais valor aos frutos nativos cultivados no sítio.

“O produtor não pode plantar para o nada”

Muitas pessoas, segundo Cintia, têm se interessado em plantar frutas na região. O próprio sítio, em algumas circunstâncias, compra frutas de produtores locais para agregar valor ao trabalho da comunidade. Exemplo é o plantio do cambuci. Cintia frisa a importância do Festival do Cambuci de Paranapiacaba. “Esse tipo de evento estimula os produtores”, acredita.

Além dessa aproximação com outros produtores, Cintia defende que quanto mais próximos os mundos da gastronomia e da agricultura estiverem, mais os dois lados têm a ganhar. “Já existem restaurantes que têm cardápios de acordo com a safra, por exemplo, o que é ótimo para que as pessoas entendam a origem e a produção do alimento”, afirma ela. “Certas frutas só são colhidas por 20 dias no ano.”

Fruta nativa o ano inteiro

Lá no sítio de Douglas e Cintia tem fruta brasileira durante o ano todo. Apenas em junho e julho a diversidade diminui. A principal fruta produzida é a acerola, já uma velha conhecida do paladar dos brasileiros. Amora silvestre vira polpa e geleia depois da colheita, entre novembro e dezembro. Araçá é uma fruta que varia muito na safra. “As frutas nativas, em geral, são muito sensíveis”, diz Cintia.

Mesmo assim, todo ano tem a araçazada, um doce de corte semelhante à goiabada. Ainda tem uvaia e graviola, bastante apreciada no Nordeste. O esforço tem, para Cintia, uma recompensa afetiva, que vai além da simples comercialização de sua produção. “A fruta nativa traz sempre uma boa lembrança, seja colhendo numa árvore da praça ou no quintal de casa, na infância.”

Esse valor precisa ser reconhecido também no dia a dia de quem está longe do campo e não tem árvore no quintal: “Um suco de jabuticaba pode estar no cardápio de um restaurante, é a cara do Brasil. Uma fruta nativa também é um produto especial, é a cultura do País.”

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