Agronegócio

Ásia abre caminho para soja e milho do Brasil

A China e o Oriente Médio são o caminho para a expansão das exportações brasileiras de soja e milho
Por: -Luiz Silveira e Theo Carnier
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A China e o Oriente Médio são, cada vez mais, o caminho para a expansão das exportações brasileiras de soja e milho. O crescimento da exportação de soja para a China já chegou a 66% este ano, ou 4,36 milhões de toneladas (t) a mais que no ano passado. No milho, as vendas externas brasileiras para o Irã saltaram de 700 mil t para 1,770 milhão de t de janeiro a novembro. E essa tendência deve ser fortalecer ainda mais nos próximos anos, na avaliação de empresas e tradings.

“O movimento altista dos preços do milho, por causa dos projetos de etanol a partir do produto nos Estados Unidos, impactam diretamente na Ásia”, afirma o diretor presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni. Essa situação, na avaliação dele, cria oportunidade para o milho brasileiro, já que o País tem condições de expandir sua produção e suprir o mercado asiático, que deve ficar carente do produto proveniente dos Estados Unidos com os projetos americanos de bioenergia.

No caso da soja, o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, lembra a importância da China nas exportações do produto. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os chineses foram os maiores importadores de soja brasileira este ano. “O Brasil vai conseguir aumentar suas exportações em 2,6 milhões de t este ano, mesmo em um período de dificuldades para os produtores”, recorda.

Milho americano dispara

Os dados mostram que um novo quadro começou a se desenhar este ano para os dois produtos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo de etanol saltou de 1,323 milhão de bushels em 2004/2005 para 2,150 milhões de bushels em 2006/2007, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Além disso, relatório divulgado ontem pela Informa Economics nos Estados Unidos informa que o plantio de milho alcançará no ano que vem a maior área do último período de quase seis décadas, num momento em que os agricultores tentam se beneficiar da alta dos preços.

Já os estoques do produto tiveram redução significativa. No mundo, despencaram de 125,62 milhões de toneladas em 2005/2006 para 92,74 milhões de t em 2006/2007. Nos Estados Unidos, os estoques caíram pela metade: de 50,06 milhões de t em 2005/2006, para 23,76 milhões de t em 2006/2007.

Como contraponto, no Brasil a queda do estoque de milho foi pouco significativa, de 4,39 milhões de t para 4,14 milhões de t. Além do crescimento da exportação para o Irã, as vendas externas de milho dispararam também para a Coréia do Sul (de 168 mil para 798 mil t).

“A produção de etanol a partir do milho nos Estados Unidos abre uma perspectiva importante para o produto brasileiro no mercado internacional”, afirma Sérgio Mendes, da Associação dos Exportadores de Cereais.

O avanço chinês na soja

Na soja, relatório da corretora Cerealpar (que opera na bolsa de futuros de Chicago) lembra que 47% do total embarcado pelo Brasil de janeiro a outubro foram para a China. O Irã também se destacou em relação ao produto. A Cerealpar recorda que o maior comprador de óleo de soja brasileiro este ano foram os iranianos, responsáveis por 25% do que o País exportou.

Enquanto isso, as processadoras de soja dos Estados Unidos trabalham a todo vapor. De acordo com relatório divulgado ontem pela Associação Nacional das Processadoras de Oleaginosas daquele país, essas empresas aumentaram sua produção em 2,3% em novembro, incluindo Bunge e Archer Daniels Midland.

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