Aumenta área de cultivo da mamona no Mato Grosso

Agronegócio

Aumenta área de cultivo da mamona no Mato Grosso

O cultivo da mamona em MT apresentou incremento de aproximadamente 35% na safra 2004/2005
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O cultivo da mamona em Mato Grosso apresentou um incremento de aproximadamente 35% na safra 2004/2005, passando dos 8 mil hectares plantados em 2003/2004 para quase 11 mil hectares. Na safra do ano passado a oleaginosa teve uma produção em torno de cinco mil toneladas em uma área de oito mil hectares, segundo informações do diretor administrativo da Central de Compra de Mamona – CCM, de Cáceres, André Toledo Vale.

Na safra de 2003/2004, a produtividade alcançou 600 quilos/hectare, com a média de 10 sacas de 60 quilos/hectare, cujo preço de comercialização foi de R$ 38,00, considerado muito baixo pelos produtores. “Mesmo assim vale a pena investir na mamona. Até porque a mamona é um dos poucos produtos que podem ser armazenados por no mínimo seis meses na espera de um preço melhor”, afirma André Vale.

O pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural - Empaer -, Valter Martins de Almeida, revela que a queda constante no preço da saca da oleaginosa se deve a baixa cotação do dólar e aos incentivos do governo. Motivo: quando um produto está em alta, tem maior produção, por causa dos incentivos, e em conseqüência o preço cai.

Segundo Martins de Almeida, na safra de 2002/2003 a saca de 60 kg de mamona em baga foi vendida a R$ 83,00 entre meados de janeiro a abril. Já em janeiro de 2005, o preço despencou para R$ 50,00 e agora está em R$ 38,00. Mas, assim como André Vale, ele também garante que vale a pena investir no plantio de mamona no Estado.

“Ainda não podemos avaliar qual será a produtividade em quilos e a lucratividade por hectare na safra 2004/2005, pois a colheita está sendo finalizada. Falar em estimativas é perigoso. Porém, se considerarmos a colheita de 15 sacas de 60 kg da mamona por hectare ao preço de R$ 50,00, teremos uma receita de R$ 750,00. Se o custo de produção chegar a R$ 600,00 o hectare, a rentabilidade será de 25%. Quer dizer: o cultivo da mamona dá bom retorno financeiro ao agricultor”, ressalta Martins de Almeida.

Quanto ao aumento da área de oito mil hectares para quase 11 mil hectares este ano, os principais fatores do crescimento, de acordo com o pesquisador, deve-se aos ajustes tecnológicos e ao trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvido pela Empaer em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Sementes Armani. Os resultados da pesquisa possibilitaram avaliar genótipos que melhor se adaptam no Estado.

Novos cultivares bem aceitos:

Revela Martins de Almeida que entre os novos cultivares, Mirante 10 e Guarani são os que estão sendo utilizados com sucesso, principalmente na agricultura familiar. O porte da planta é médio e alto e o ciclo de produção médio e tardio. A colheita parcelada ou única começa a partir do mês de maio com término em agosto. Neste caso, o fruto é classificado como deiscente (o fruto se abre) e a colheita é realizada manualmente.

Os grandes produtores de mamona trabalham com materiais genéticos híbridos, plantados na safrinha em sucessão a outras culturas, principalmente da soja. As variedades dos híbridos são savana, cerrado, íris e lya. O plantio é feito entre os meses de janeiro e início de março e a colheita totalmente mecanizada e única, quando os frutos ainda estão verdes. O fruto é chamado de indeiscente – a baga não abre.

O ciclo vegetativo dos híbridos é mais precoce, variando entre 160 dias mais ou menos. O porte da planta é baixo, entre 1,20 a 1,30 metro. Os híbridos necessitam de uma boa tecnologia pelo fato de a lavoura ser totalmente mecanizada – do plantio a colheita. A agricultura familiar responde por 50% da produção de mamona de Mato Grosso e a empresarial pelos outros 50%.

A pesquisa da Empaer está avaliando também a nutrição das plantas, adubação e uso de fungicidas no controle de doenças e pragas. O pesquisador estima que somente no município de Cáceres (225 km a oeste da capital) existem mais de 5 mil hectares de plantio de mamona em propriedades de pequenos produtores.

As regiões do Estado que mais investem no plantio de mamona são Cáceres, que responde por 50% da cultura e Primavera do Leste, com cerca de 40%. Pontes e Lacerda e Porto Esperidião são outros municípios que estão investindo no cultivo da mamona.


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