Bactérias podem reduzir doença do trigo em 60%
As análises indicaram que a inoculação teve papel central
As análises indicaram que a inoculação teve papel central - Foto: Divulgação
Bactérias benéficas aplicadas ao trigo podem modificar a comunidade de microrganismos ao redor das raízes e ajudar a reduzir os danos provocados por doenças. O biólogo Marcus Lourenço “Polé” destaca um estudo publicado na revista npj Biofilms and Microbiomes que registrou redução de cerca de 60% na severidade da doença causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana, associado à mancha marrom e à podridão radicular.
O experimento, conduzido em casa de vegetação, avaliou três bactérias isoladas da rizosfera do trigo: Streptomyces virginiae, Paenibacillus ottowii e Pseudomonas inefficax. Além da menor severidade da doença, os pesquisadores observaram estímulo ao crescimento das raízes.
As análises indicaram que a inoculação teve papel central na reorganização do microbioma e na supressão da doença. A presença do fungo prejudicou a diversidade de genes ligados à promoção do crescimento vegetal e alterou a organização de grupos de genes envolvidos na produção de compostos bioativos. Duas bactérias, S. virginiae e P. inefficax, ajudaram a restaurar essas características.
Outro resultado chamou a atenção: as bactérias introduzidas representaram apenas cerca de 0,5% a 1% das leituras de microrganismos na rizosfera. Mesmo assim, foram associadas a mudanças amplas na comunidade, com enriquecimento de funções relacionadas ao metabolismo de nutrientes, à tolerância ao estresse e à produção de metabólitos secundários.
A abundância do patógeno, por si só, não explicou a gravidade da doença. Isso sugere que a proteção pode depender menos de um confronto direto com o fungo e mais das interações entre os microrganismos próximos às raízes. Os resultados ainda precisam ser confirmados em diferentes solos e no campo. A pesquisa abre caminho para avaliar consórcios de bactérias ajustados às condições de cultivo.