Baixo preço afasta o produtor de erva-mate

Agronegócio

Baixo preço afasta o produtor de erva-mate

Arroba chegou a valer R$ 18, mas hoje é vendida a R$ 8,50
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 A cerca de 100 quilômetros de distância de Arvorezinha e Ilópolis, na região conhecida como Baixo Vale do Taquari, produtores de erva-mate enfrentam uma situação bem diferente. Muitos deles fazem planos de arrancar os ervais para ampliar a produção de outras culturas.

O cultivo se mantém estagnado desde 2014 em Venâncio Aires, principal produtor da região. No entanto, os ervais começaram a minguar em 2011 e apenas houve a estabilização há três anos com a elevação do valor por falta de produto no mercado. Uma das principais reclamações está relacionada ao preço pago ao produtor, que é de R$ 8,50 pela arroba. Há três anos, o valor chegou a R$ 18.

Para o chefe do escritório municipal da Emater, Vicente Fin, os produtores não veem a erva-mate como fonte alternativa de renda porque, nos últimos anos, as chuvas foram normais, sem grandes prejuízos para outras culturas. “Quando há estiagem, nas outras culturas logo ocorrem perdas, mas na erva não, pois é mais resistente”, destaca. O principal argumento para tentar convencer os agricultores a não arrancar os pés é a expectativa de aquecimento nos preços com a possibilidade de vendas para o mercado asiático, equilibrando a oferta com a demanda.

Com pouco mais de 12 hectares de área em sua propriedade na localidade de Palanque, o agricultor Paulo Valino Schuck, 61 anos, pensa em desistir da erva-mate se não houver reação no preço. Afirma que pretende arrancar metade dos pouco mais de 3 mil pés existentes na lavoura ainda este ano, e no próximo o restante para aumentar a produção de aipim e milho. “No ano passado replantei 1,5 mil mudas, mas vou arrancar tudo de novo”, adianta, explicando que a atividade não compensa, pois enquanto as ervateiras pagam R$ 8 pela arroba, ele gasta R$ 2 com o tarifeiro (cortador) e R$ 1 pelo frete. Schuck acrescenta que a situação pode se tornar ainda mais crítica diante das exigências do Ministério do Trabalho para que os produtores assinem a carteira profissional para os trabalhadores diaristas. O cenário em nada lembra a década de 1980, quando o pai dele chegou a comprar um trator à vista com o dinheiro obtido com a atividade. Para Schuck, o plantio iria se viabilizar se a remuneração fosse, pelo menos, de R$ 10 a arroba. Um vizinho dele já arrancou os ervais para o plantio de aipim e tabaco. Schuck, que preside a Associação dos Produtores de Erva-Mate dos Vales (Aspemva), prevê o fim da entidade diante do desestímulo dos produtores.

O diretor executivo do Ibramate, Roberto Ferron, atribui a queda no preço ao grande aumento da produtividade e oferta de matéria-prima, ocasionada pela melhoria no manejo dos ervais, adubação demasiada, plantações abandonadas que voltaram a ser colhidas, consequência da elevação do valor pago pela arroba em 2013. Além disso, as condições climáticas também foram favoráveis para a cultura. Observa que o setor está chegando aos patamares de preços praticados antes de 2012. Ferron teme por um novo ciclo de decadência semelhante ao período de 2009 a 2012, quando foram arrancados 10 mil pés de erva-mate no Estado (25% da área produtiva), o que causou a falta de produto nas indústrias no ano seguinte.

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