Biodiesel de mamona e girassol segue em alta

Agronegócio

Biodiesel de mamona e girassol segue em alta

O Goiás e o Paraná já mostram iniciativas para produção de biodiesel
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Iniciativas para produção de biodiesel da mamona e do girassol no Centro-Oeste e Sul do País estão redesenhando o campo brasileiro. Em Goiás, três projetos para plantação de oleaginosas serão responsáveis por mais de 760 mil litros de biodiesel neste ano. No Paraná, empresas realizam pesquisas para viabilizar projetos.

De olho neste filão, a Brasil Ecodiesel iniciou no ano passado projetos para produção por meio de mamona e, neste ano, para girassol, ambos em assentamentos com 315 famílias.

Segundo Alexandre Gabriel, coordenador de Agricultura Intensiva empresarial da Brasil Ecodiesel, a produção inicial é de 640 mil litros para biodiesel da mamona e 120 mil litros do girassol. ""As produções são levadas a Porto Nacional, no Tocantins, para processamento do óleo que depois é vendido para a Petrobras"".

A projeção da empresa para o Estado de Goiás é de uma produção de mamona superior a 556 mil toneladas este ano, em uma área de cultivo de mais de 708 mil hectares. Para a produção de girassol a estimativa é de 300 mil quilos em 2007, em uma área de cultivo de de mais de 1 mil hectares no estado. ""A previsão de ampliar a produção de girassol em mais de 20%, em 2008"", revela.

A companhia projeta a construção de 12 unidades esmagadoras de oleaginosas no País, com investimentos individuais de aproximadamente R$ 80 milhões, em cada uma. Os Estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul, Paraná e também no Nordeste do País, poderão receber as novas unidades.

Pesquisa

Cerca de 100 produtores rurais de dois assentamentos no Sudoeste goiano, um em Rio Verde e outro em Jataí, devem colher nessa safrinha cerca de 1,5 mil quilos por hectare de girassol e mil quilos por hectare de mamona tipo guarani, oleaginosas destinadas à industrialização de biodiesel.

De acordo com Carlos Eduardo da Silva Lima, superintendente de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seagro), estes produtores também venderam a produção de soja da safra 2006 para a Caramuru para industrialização do biodiesel. """"Este tipo de parceria é fundamental para que consigamos desenvolver projetos na área. O governo do estado já estuda a possibilidade de projeto semelhante para o pinhão-manso, mas todos estes projetos precisam de mais pesquisas para o solo do Centro-oeste"""", conta. Nos dois municípios, há mais de 60 hectares de terra plantada.

Paraná

O Paraná é foco de atenção de grandes corporações interessadas em investir em biodiesel, pelo potencial de produção de grãos utilizados para o processamento do produto. A Brasil Ecodiesel, por exemplo, estuda a implantação de uma unidade de produção no estado. Em curto prazo a empresa deve iniciar a compra de matéria-prima para a usina que já está instalada no Rio Grande do Sul. Técnicos da empresa estão realizando um levantamento nas regiões mais favoráveis para o cultivo de girassol e mamona. Atualmente 55 mil famílias em todo o País produzem mamona e girassol para a Brasil Ecodiesel, ocupando uma área de quase 50 mil hectares.

O Paraná ainda não tem zoneamento agrícola definido para essas culturas, mas a Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) está mobilizada para estimular a produção. O secretário Valter Bianchini afirma que o estado está disposto a trabalhar em parceria com as empresas para garantir o fornecimento da matéria-prima. ""Precisamos ter segurança que as duas culturas são viáveis"", diz.

A Brasil Ecodiesel oferece garantia de compra com preço pré-fixado no contrato, assistência técnica, máquina de debulha, sacaria e logística para escoamento da produção. Na Região Nordeste, onde os contratos de compra de grãos estão consolidados, a empresa está pagando em torno de R$ 0,60 o quilo do grão.

Outras grandes empresas, como a Cooperativa de Maringá (Cocamar), a Biolix, de Rolândia, e a Brasbiofuel Biodiesel, que tem escritório em Curitiba, também estão interessadas na expansão da produção de biodiesel.

Com previsão de investimentos que podem chegar a R$ 200 milhões, a Brasbiofuel finaliza um levantamento que vai definir a tecnologia a ser empregada na produção da unidade prevista para ser instalada no estado. O diretor de Operações Afonso D""Agostini, comenta que o projeto inclui o tratamento e destinação de todos os co-produtos que poderão ser gerados na operação, desde o óleo de girassol até a casca das sementes, que devem ser utilizadas como fonte para uma usina termoelétrica para abastecimento da unidade. ""Tudo será programado para retorno do capital"", ressalta.

O projeto tem a parceria de um grupo de investidores italianos da área financeira, e a intenção é exportar a produção do biodiesel para a Itália. O local da unidade será na região de Londrina. O projeto prevê outras três unidades, que devem totalizar uma produção diária de 1,5 milhão de litros de biodiesel.


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