Bioenergia faz fundos investir em grãos

Agronegócio

Bioenergia faz fundos investir em grãos

Participação passou de até 40% para mais da metade dos contratos negociados na bolsa de Chicago
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Participação passou de até 40% para mais da metade dos contratos negociados na bolsa de Chicago. O chamado "boom" do etanol, iniciado no segundo semestre do ano passado - quando os Estados Unidos anunciaram uma necessidade maior de milho para a produção de energia - fez com que os fundos de investimentos ampliassem sua participação no mercado de commodities agrícolas na bolsa de Chicago (CBOT). Se antes o máximo de contratos administrados pelos fundos girava entre 25% e 40%, dependendo da época (safra ou entressafra), hoje não ficam abaixo dos patamares de 50%.

No auge dos preços do milho, em fevereiro passado - US$ 4,47 o bushel - os fundos chegaram a deter 60% dos papéis negociados. Naquela época, o número de contratos sobrecomprados chegou a 300 mil, recorde histórico. Tradicionalmente, tanto a soja quanto o milho têm valores de 50 mil a 90 mil papéis sobrecomprados - quando o número de contratos comprados é superior aos que estão na posição vendida.

"Do ano passado para cá, a média tem sido superior porque as commodities agrícolas foram enxergadas como matéria-prima para a agroenergia. Esta posição é irreversível. Hoje os grãos são commodity financeira", acredita Renato Sayeg, da Tetras Corretora. Segundo ele, o mercado mudou definitivamente, pois antes os fundamentos determinavam o ritmo das cotações. "É um capital muito volátil. Os fundos podem sair do mercado rapidamente, sem necessariamente haver fundamento técnico para uma baixa nos preços", avalia Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP. Apesar desta volatilidade maior, Sayeg acrescenta que trata-se de uma "nova realidade" e que, portanto, o produtor tem de buscar instrumentos de proteção, como o hedge.

Posição

Segundo Barros, a atual posição dos fundos tende a deixar os preços do milho estáveis, mas pode fazer com que o mercado de soja esteja vulnerável à liquidação. Segundo levantamento da consultoria, a partir de dados da Commodities Future Trading Commission (CFTC), do governo dos Estados Unidos, os fundos estão com 145,5 mil contratos sobrecomprados no milho e 116,5 mil papéis na soja. Na avaliação do analista da AgraFNP, como houve queda na posição sobrecomprada de milho, a estimativa é que os níveis fiquem nestes patamares.

No entanto, no caso da soja, cuja posição aumentou com a queda na área plantada dos Estados Unidos, pode haver mudança a partir das condições climáticas naquele país. Apesar da vulnerabilidade maior da soja, ele não acredita que os preços despenquem, já que a perspectiva é de mercado aquecido nos próximos dois anos. Barros lembra que uma eventual quebra de safra da soja americana pode elevar as cotações dos atuais US$ 8 bushel para níveis semelhantes a 2004: US$ 10 o bushel.

Nessa segunda-feira (04-06), os contratos de milho para julho encerraram a US$ 3,83 o bushel, alta de 0,7% em relação à sexta-feira. Os papéis da soja com vencimento em agosto fecharam o pregão a US$ 8,23 o bushel, queda de 0,2%, na mesma comparação.

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