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Bioinsumos: mercado deve crescer até 10% em volume em 2026

Compras podem ganhar força no segundo semestre de 2026


Foto: Pixabay

O mercado de bioinsumos no Brasil deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% no valor das vendas e de cerca de 10% em volume, na comparação com 2025, segundo projeções divulgadas pela Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio). Mesmo com a cautela nas compras e a pressão sobre os preços, a entidade projeta recuperação do ritmo de comercialização no segundo semestre.

No primeiro semestre de 2026, o mercado brasileiro de bioinsumos cresceu 7% em volume em relação ao mesmo período de 2025. Em valor de vendas, porém, não houve crescimento, principalmente em razão do atraso nas compras e da maior pressão sobre os preços dos insumos agrícolas.

Segundo dados divulgados pela ANPII Bio, a desaceleração ficou mais evidente no segundo trimestre, quando se intensificaram os problemas relacionados aos preços e ao suprimento de fertilizantes. Também aumentaram as incertezas sobre os preços futuros das principais commodities agrícolas.

Diante desse cenário, produtores rurais adiaram decisões de compra e passaram a concentrar as aquisições mais perto do início do plantio da safra de verão. “O crescimento em volume mostra que a adoção dos bioinsumos continua avançando, mesmo em um ambiente mais desafiador. Por outro lado, a diferença entre volume e valor evidencia a pressão sobre os preços médios, uma dinâmica que a indústria já vem acompanhando nos últimos anos. A expectativa é de recuperação do ritmo de compras no segundo semestre, sustentando um fechamento positivo para 2026”, afirma Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio.

Os dados integram a Plataforma de Inteligência de Mercado da entidade e foram apresentados pela 5P2R Marketing de Precisão às indústrias associadas no fim de agosto. A plataforma reúne uma série histórica iniciada em 2009 e conta atualmente com dados de 30 empresas.

Além do avanço da adoção, o mercado apresenta mudanças no perfil das tecnologias oferecidas aos produtores. Entre os biodefensivos, cresce a participação de produtos com mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos. Nos inoculantes, também avançam formulações que combinam diferentes espécies de microrganismos.

Segundo dados divulgados pela ANPII Bio, essas categorias representaram 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, ante 16% em 2025.

O avanço indica uma oferta mais diversificada e de maior valor agregado, em contraste com um mercado anteriormente mais concentrado em produtos tradicionais que continham apenas Bradyrhizobium e Azospirillum. “Essa mudança no mix é um dos sinais de amadurecimento do mercado. As empresas estão ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos. Também observamos uma diversificação na atuação das indústrias, que passaram a estar presentes em mais de um segmento, acompanhando a demanda por soluções cada vez mais integradas ao manejo agrícola”, explica Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão.

A diversificação também aparece na composição das empresas acompanhadas pela plataforma de inteligência de mercado. Das 30 empresas analisadas em 2026, metade atua tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos. As demais mantêm atuação exclusiva em um dos dois segmentos.

Em 2022, a proporção de empresas que trabalhavam com as duas categorias era de apenas 26%, segundo dados divulgados pela ANPII Bio. A evolução mostra uma ampliação da presença das indústrias em diferentes áreas do mercado de biológicos, acompanhando a diversificação dos portfólios e a demanda por soluções integradas ao manejo agrícola.

O avanço do mercado ocorre paralelamente à fase final de regulamentação da Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024). A expectativa do setor é de que o decreto seja publicado nas próximas semanas, abrindo caminho para a discussão de portarias e outros atos infralegais necessários à aplicação prática do novo marco regulatório.

Para a ANPII Bio, a conclusão dessa etapa é importante para ampliar a previsibilidade regulatória e acompanhar a evolução de uma indústria que vem expandindo escala, portfólio e investimentos em novas tecnologias. “A indústria chega a essa nova etapa regulatória com um mercado que já avançou em adoção, escala e diversidade tecnológica. A regulamentação poderá contribuir para dar mais segurança e previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novas soluções. O próximo desafio será transformar esse marco em regras aplicáveis, equilibradas e compatíveis com as características dos produtos biológicos”, pontua Larissa Bonotto.

A entidade defende que a regulamentação preserve os avanços construídos durante a elaboração da lei e do decreto, conciliando segurança, inovação, proporcionalidade e viabilidade operacional para a indústria. O objetivo, segundo a ANPII Bio, é garantir que as regras também considerem as necessidades dos produtores rurais e as particularidades das diferentes tecnologias biológicas.

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