Biológico combate fungo em mais de 40 culturas
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Imagem: Pixabay
HORTIFRUTI

Biológico combate fungo em mais de 40 culturas

Prejuízos causados por fungos em hortifruti variam de 50 a 100%
Por: -Eliza Maliszewski

O mercado de biológicos é recente no Brasil. Diante de uma biodiversidade com cerca de 150 mil espécies animais e vegetais, o país descobriu as soluções biológicas, de forma mais efetiva, em 2018. Naquele ano as vendas de defensivos biológicos cresceram 77%, movimentando R$ 464,5 milhões. Só em biofungicidas a alta chegou a 148%. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), hoje CropLife Brasil.

Com o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos pelo governo federal em maio, o aporte para pesquisa e desenvolvimento neste setor deve ser maior e impulsionar ainda mais novas soluções a base de biológicos. A projeção para 2020 é de movimentar mais de US$ 5 bilhões globalmente.

Enquanto o setor cresce na ordem de 10% ao ano em outros países, no Brasil o ritmo é ainda mais acelerado, atingindo mais de 15%. Somente na base de hortifruti o crescimento anual é de 25%. No país já são cerca de 10 mil hectares tratados com biológicos.

Como agem os biofungicidas

Os biofungicidas, como o próprio nome diz, são microorganismos que atacam o patógeno das plantas e impedem seu desenvolvimento, como se fosse uma “guerra” de fungo contra fungo. É importante ferramenta no Manejo Integrado de Pragas (MIP). 

Entre as vantagens do uso de biofungicidas, além da diminuição dos químicos, está o fato de permitir plantas mais saudáveis, rentáveis e sustentáveis. “Não é o jeito ‘ou’ e sim o jeito ‘e’. As ferramentas biológicas chegam para agregar e não substituir. Quanto mais possibilidades na lavoura melhor”, destaca o gerente de Marketing de Cultivos Hortifruti da BASF, Rodrigo Pifano.

Fungos em HF

As culturas de hortifruti sofrem bastante com ataque de fungos. O engenheiro agrônomo e especialista em produção vegetal pela Esalq/USP, Renato Ângelo, que trabalha há 40 anos na área, aponta que as doenças em vegetais causadas por fungos representam 65% do total.

Algumas variedades podem ter perdas grandes. Em morango a infestação com botrytis pode causar perdas de 50%; em uvas o mesmo fungo pode levar a prejuízos de 60%; na melancia a mancha foliar pode impactar em 30%, podendo chegar a 100%; em beterraba a rizoctonia, um fungo de solo, pode levar a prejuízos de 100% exigindo o replantio, assim como na batata. Em cebola a dificuldade de produtos para controle de fungos leva a elevação dos preços ao consumidor.

Esses são apenas alguns exemplos do que os biofungicidas podem auxiliar no segmento. “As primeiras soluções degradavam rapidamente e, hoje com tecnologia, temos estabilidade para que seja tão eficiente ou mais do que os tradicionais. O agricultor quer vender um produto bom para o consumidor porque é remuneração e valorização de sua atividade”, evidencia Ângelo.

Biofungicida para 41 culturas

Em uma coletiva de imprensa digital nesta segunda-feira (27), a BASF lançou o primeiro biofungicida da marca no Brasil. Com o nome comercial Duravel, o registro foi obtido no final de 2018 para 41 culturas de frutas e hortaliças, desde as principais folhosas, batata, pimentão, tomate até morango, uva, manga e pêra.

O produto tem como ingrediente ativo o Bacillus amyloliquefaciens strain MBI 600 is. O agente biológico age em doenças de raízes e folhas, causadas por fungos e algumas bactérias, formando um escudo de proteção e, assim, evitando as doenças. É indicado para podridão olho-de-boi, mofo cinzento, queima das pontas, rizoctoniose, tombamento e mancha bacteriana, envolvendo, inclusive, outras culturas que sofrem com as doenças como tabaco e feijão. “Trata-se de um biológico muito eficiente e que vem para solucionar muitas doenças”, explica Pedro Mendonça, Desenvolvimento Técnico de Produtos da BASF. 

O biofungicida pode ser usado sozinho ou combinado com químicos e tem indicação para cultivos orgânicos. Importante destacar que o produto age de forma preventiva, antes da doença se instalar. “Ele pode ser aplicado em qualquer fase do cultivo, tanto em folhas quanto frutos”, destaca Mendonça. 


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