Bolha do álcool no Brasil começa a desinflar

Agronegócio

Bolha do álcool no Brasil começa a desinflar

O mercado sucroalcooleiro já começa a dar sinais de arrefecimento
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Depois da euforia, iniciada no ano passado, o mercado sucroalcooleiro começa a dar sinais de arrefecimento. As fabricantes de máquinas para usinas Sermatec (mesmo grupo da Renk Zanini) e Dedini S/A Indústrias de Base - que somam 80% de market share neste mercado - registraram adiamento de projetos que previam a moagem de 130 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o equivalente a um terço da capacidade atual instalada no País.

Por razões comerciais, as duas empresas não revelam quais foram os clientes que adiaram seus projetos e nem souberam informar, com precisão, por quanto tempo. Na Sermatec - que detém 30% de market share no segmento de fabricação de usinas - foram elaborados projetos técnicos para implantação de moagem de 80 milhões a 120 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, todos foram adiados, a princípio, para o segundo semestre, segundo Marcelo Taparelli, diretor-superintendente da empresa. "Observamos essa retração; o investidor está mais lento no ímpeto de concretização dos negócios, algo que não existiu no momento do auge, ano passado", avalia Taparelli.

Na Dedini S/A, que absorve em torno de 50% da demanda desse mercado, o adiamento foi menor e foi decretado por quatro projetos que representariam juntos moagem de cerca de 12 milhões de toneladas, segundo Sérgio Leme dos Santos, vice-presidente executivo do grupo.

Um investidor, que teria procurado a fabricante para encomendar um projeto de usina sucroalcooleira, afirmou a este jornal que foi questionado pelo vendedor sobre a possibilidade de adquirir máquinas fabricadas para outra usina, cujo cliente havia desistido. "Serei apresentado esta semana a esse desistente para averiguar se é rentável ou não fazer a aquisição", diz o investidor, que preferiu não se identificar. O vice-presidente executivo da Dedini não confirmou a desistência, mas reconheceu que diminuiu o volume de consultas à empresa nos últimos meses. "Realmente, parece que o mercado perdeu um pouco da euforia. Mas há muitos que consultam de forma especulativa. Investidores com esse perfil estão diminuindo com o recuo dos preços do açúcar e do álcool".

O presidente da JOB Consultoria, Júlio Maria Borges, recorda que, até setembro de 2006, foram anunciados 146 novos projetos de usinas na região Centro-Sul do País somando moagem próxima de 300 milhões de toneladas, o equivalente a 70% da capacidade atual instalada. No entanto, explica ele, já era esperado que um terço - em torno de 100 milhões de toneladas - não vingasse. "É natural que curiosos venham a fazer reserva de mercado, inclusive com equipamentos e terras", diz Borges.

São os chamados "curiosos" ou os que se anteciparam nessas reservas, antes de garantir o recurso com o investidor. Ele garante que o recuo dos preços do açúcar e do álcool não motiva desistência de investidores sérios. "Os fundamentos devem ser os de longo prazo. E um dos mais importantes, nesse segmento, é a escassez do petróleo", avalia Borges.

Com 50 usinas em fase de fabricação - resultado das demandas de 2006 e deste ano - a Dedini S/A enfrenta agora um novo desafio: correr atrás de novos clientes para não ficar com capacidade fabril ociosa em 2008. A empresa investiu nos últimos quatro anos cerca de R$ 140 milhões para ampliar entre 30% e 50% a capacidade de algumas de suas linhas produção. "Mas precisamos captar outros projetos. Ainda não temos clientes fechados para 2008", avisa.

Leme não acredita que o investimento na ampliação da fábrica - que hoje pode produzir até 24 usinas anuais - será frustrado. "Aposto que o Brasil terá duas ondas. A primeira é essa mercado interno. A segunda, será o do comércio exterior, acredito em cinco ou dez anos".


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