Bons preços aceleram comercialização da safra de café do Brasil
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Agronegócio

Bons preços aceleram comercialização da safra de café do Brasil

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Os bons preços pagos aos produtores de café estão acelerando a comercialização da safra 2003/04. Segundo levantamento realizado pela empresa de consultoria Safras & Mercado, até o dia 29 de fevereiro 81% da safra brasileira -- estimada em 28 milhões de sacas -- havia sido comercializada, em comparação com o índice de 76% de janeiro e frente aos 79% de igual período do ano passado. "O mês de janeiro foi o mais agitado, uma vez que as cotações começaram a se recuperar no final do ano", avalia Gil Barabach, analista da Safras e Mercado. Após quatro anos em queda, as cotações do café começaram a reagir no final do ano passado, em resposta às estimativas de uma safra mundial em volume inferior à demanda no período 2004/05. A expectativa da Organização Internacional do café (OIC) é de um déficit mundial de 10 milhões de sacas, o que deve pressionar sensivelmente os níveis dos estoques mundiais.

Ganhos em 2004

"Entre o último dia de dezembro e meados de março as cotações de café subiram R$ 20 no mercado interno", diz Marlon Braga Petrus, gerente de mercado externo da Cooperativa Regional de Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso). Segundo ele, o aumento provocou o aquecimento das vendas. "Nossa estimativa é de que 40% das vendas sejam da safra nova(2003/04)", avalia. A safra 2003/04 na área de atuação da cooperativa está estimada em 2,5 milhões de sacas. Deste montante, 750 mil sacas já foram comercializadas pela Cooparaíso. Já para o período 2004/05 a produção está estimada em 2,8 milhões, e a estimativa é de que 1,1 milhão sejam entregues na cooperativa para comercialização. "Estamos em plena entressafra e a tendência é de que os preços se mantenham firmes até o início da colheita, prevista para maio", diz Barabach.

Na avaliação de Petrus, entretanto, no curto prazo não há estimativa de aumento das cotações. "Isso porque os fundos de investimento já se posicionaram e não há expectativa de novas compras", diz. Segundo ele, as torrefadoras, que poderiam contribuir para a elevação das cotações, também devem se manter ausentes do mercado uma vez que compram somente quando os preços caem. "As torrefadoras dão suporte às cotações, mas não as elevam", diz. É provável também, segundo o gerente da Cooparaíso, que entre março e maio as vendas sejam em menor volume. "A partir de maio, quando começa a colheita, o produtor vai precisar de custeio e deve vender em maior volume", avalia.

Estoques em queda

No final de fevereiro, o estoque de café beneficiado nas cooperativas brasileiras somou 4 milhões de sacas de 60 kg. O resultado representa uma queda de 34,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram armazenadas 6,2 milhões de sacas. Na comparação com o mês anterior, quando os estoques eram de 4,5 milhões de sacas, houve uma queda de 10,4%. O recebimento acumulado nesta safra - a partir de maio de 2003 - foi de 7,2 milhões de sacas, que representa uma queda de 52,5% em relação ao mesmo período da safra anterior. Já as exportações brasileiras de café somaram 1,53 milhão de sacas em fevereiro, 16% a menos que as 1,80 milhão de sacas exportadas em janeiro e 35% menor que as vendas de fevereiro de 2003.


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