Brasil cresce mais do que o esperado e surpreende mercado
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Agronegócio

Brasil cresce mais do que o esperado e surpreende mercado

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Índice de Atividade Econômica do Banco Central registra expansão de 1,15% em novembro. Ritmo de cortes na taxa de juros pode diminuir

O Brasil voltou a crescer e surpreendeu o mercado. Enquanto a maioria dos analistas esperava o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro em torno de 0,9%, o país registrou avanço de 1,15%, desempenho que foi recebido com euforia pelo governo. Além das vendas do comércio, a recuperação da indústria contribuiu: a expectativa é de que tenha feito de dezembro mais um mês de crescimento elevado.

Para a equipe econômica, a atividade saiu do fundo do poço e vai dar passos ainda mais largos sob efeito do novo salário mínimo e do impacto do afrouxamento monetário. Em fevereiro, o piso nacional chega ao bolso dos trabalhadores valendo R$ 622. Na visão de especialistas, praticamente todo o ganho extra será direcionado para o consumo, o que deve promover uma expansão forte no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) no início do ano. No segundo trimestre, a economia começa a sentir o efeito dos cortes nos juros básicos (Selic) feitos até agora e o brasileiro poderá ter acesso a financiamentos mais baratos.

Com a economia praticamente de volta ao seu curso normal, a equipe do presidente do BC, Alexandre Tombini, tende a ficar mais conservadora e concentrar suas forças no combate à inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), assustou ao registrar elevação de 0,97% na segunda prévia de janeiro. As perspectivas do boletim semanal Focus para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês também estão ligeiramente distantes do ideal para que a carestia encolha para o centro da meta, definida em 4,5% . A expectativa do mercado para janeiro é de 0,55%, taxa 0,17 ponto percentual acima do desejado pelo BC.

Mesmo com esse cenário animador e às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o mercado acredita que ainda não há elementos suficientes para uma mudança na estratégia do BC. Segue unânime a aposta de mais um corte de 0,50 ponto percentual, porém, os analistas começam a questionar até quando será possível seguir com o afrouxamento monetário. Se os especialistas estiverem certos, amanhã a Selic cairá de 11% ao ano para 10,5%. “A queda já está precificada”, afirmou o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho.

Sinais
Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC Liquidez, afirma que a dúvida em relação à longevidade do ciclo de ajuste foi plantada pelo próprio BC na divulgação do último relatório trimestral de inflação, em dezembro do ano passado. “O diretor (do BC) Carlos Hamilton indicou que o período de cortes seria menor do que o previsto inicialmente pelo mercado”, disse. Agora, a reunião do Copom de 6 e 7 de março começa a figurar como possível limite para as quedas de 0,50 ponto percentual na Selic, quando a taxa alcançaria 10% ao ano. Entretanto, tudo deve depender do cenário internacional.

“O Banco Central já viveu essa situação antes (de inflação e crescimento em alta) e não mudou de ideia quanto à flexibilização da política monetária. O BC vem se pautando mais pelo cenário internacional”, ponderou Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank. Mauro Schneider, economista-chefe do Banif, considera que ainda é cedo para falar em mudança na rota da taxa Selic. “O peso do cenário internacional deve continuar a ser relevante e ele ainda está mergulhado em incertezas e riscos”, argumentou.
Vendas

Segundo a prévia do antecedente de atividade econômica do Itaú Unibanco, o país cresceu 0,4% em dezembro do ano passado, puxado por uma aceleração da produção industrial e das vendas do varejo. Comparada a dezembro de 2010, a expansão foi de 1,8%. A perspectiva do banco para o quarto trimestre do ano é de expansão de 0,2%. “Apesar dos sinais de que a economia voltou a se expandir na margem, o último trimestre de 2011 ainda foi fraco”, observou Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco.

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