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Brasil deve ser o principal afetado pelo El Niño na América do Sul

Fenômeno pode durar até fevereiro de 2027 e ampliar riscos de seca e inundação


Foto: Divulgação

O Brasil será o país mais afetado da América do Sul pelo chamado Super El Niño, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago. O fenômeno, iniciado em junho de 2026, pode se estender até fevereiro de 2027 e amplia o alerta para secas, chuvas intensas e outros eventos extremos capazes de afetar atividades econômicas, entre elas o agronegócio.

A previsão ganha importância diante da expectativa de fortalecimento do El Niño a partir de outubro. De acordo com o material, os efeitos não devem ocorrer da mesma forma em todo o território: enquanto algumas regiões podem enfrentar períodos mais secos, outras ficam mais expostas a volumes elevados de chuva e inundações.

Para Alexandre Farias, consultor em sustentabilidade da Sustentalli, essa diferença exige que empresas avaliem os riscos conforme a localização e o tipo de atividade que desenvolvem. “Existem regiões que vão sofrer mais com as consequências da seca e outras serão com inundações. O aquecimento mais intenso do oceano causa esse descompasso. Dependendo da localidade, de como as cidades estão adaptadas, cada empresa irá precisar lidar com uma realidade particular”, afirma.

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No agronegócio, a preocupação está principalmente nos possíveis efeitos sobre a produção de alimentos. Segundo Farias, períodos de seca ou excesso de chuva podem provocar perdas de produtividade, o que torna a avaliação das vulnerabilidades climáticas parte do planejamento das empresas ligadas ao setor. A exposição também alcança atividades dependentes da geração de energia por fonte hídrica. Em cenários de redução das chuvas e avanço da seca, empresas que dependem desse recurso podem enfrentar novos desafios operacionais.

“Cada empresa terá que avaliar os riscos e tomar medidas por meio de planos alinhados com a política de mudança climática, com o objetivo de buscar maior eficiência nas ações de adaptação às mudanças climáticas”, diz Farias.

Além dos impactos econômicos e produtivos, o relatório do Laboratório de Impacto Climático aponta possíveis consequências do calor extremo para a população. A projeção apresentada no material indica que o aquecimento relacionado ao fenômeno pode resultar em 451 mil mortes ao longo de nove meses, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. No Brasil, a estimativa supera 13 mil mortes.

Diante dos riscos, Farias avalia que a adaptação às mudanças climáticas ainda recebe menos atenção do que as ações voltadas à redução de emissões.

“Acredito que no Brasil ainda falte uma cultura de prevenção de eventos climáticos. Creio que o debate está centralizado em mitigar as emissões, e as empresas acabam deixando a adaptação de lado e esperam uma responsabilização do governo, mas estamos vendo que não é bem assim, que a condução pode e deve ser feita por parte das empresas”, afirma.

A preparação envolve identificar quais operações estão mais expostas, analisar riscos associados à localização das atividades e estabelecer planos de contingência para eventos extremos. No caso do agro, essa avaliação ganha peso diante da possibilidade de ocorrência tanto de déficit hídrico quanto de excesso de chuva em diferentes regiões.

Segundo o consultor, a adaptação climática ainda está em estágio inicial dentro de muitas organizações. A recomendação é incorporar essa análise ao planejamento empresarial para reduzir perdas e preservar a continuidade das operações diante de condições climáticas mais adversas.

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