Brasil dispõe de tipo de soja que permite plantio ‘misto’ e seguro


Agronegócio

Brasil dispõe de tipo de soja que permite plantio ‘misto’ e seguro

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Paralelamente à atual discussão sobre a liberação do plantio comercial de transgênicos no país, a unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um tipo de soja geneticamente modificada que permite o plantio do grão ao lado dos tradicionais, sem riscos de ‘contaminação’.

Trata-se da BR-16, uma soja transgênica com grande resistência ao herbicida Arsenal e que tem baixo grau de dispersão gênica, ou seja, pouca capacidade de ‘contaminar’ outras plantas. Segundo os técnicos da Embrapa, já é possível concluir que existe a possibilidade de plantar soja transgênica e convencional lado a lado, a uma distância de uns 10 metros, sem que haja contaminação significativa de uma pela outra.

Com isso, na eventualidade de os transgênicos serem liberados no país, a BR-16 da Embrapa competirá com a Roundup Ready da Monsanto, que hoje praticamente monopoliza o mercado de soja geneticamente modificada. O teste de dispersão gênica da Embrapa foi feito no Cerrado, na Região Centro-Oeste. Plantou-se soja transgênica BR-16 e soja convencional intercaladamente, com distância de meio metro entre uma e outra. Observou-se que a maior contaminação foi de 0,05%, índice considerado baixíssimo, e que isso aconteceu num raio máximo de 6 metros.

Teste de resistência

Em relação ao outro teste, de resistência do BR-16 ao Arsenal, a Embrapa submeteu essa planta ao princípio ativo Imazapyr, que compõe aquele herbicida. A idéia da Embrapa era descobrir uma soja que possa ser tratada, de modo eficiente, com um herbicida rival do Roundup Ready, da Monsanto. “É importante não ter só uma única empresa fornecendo em um setor tão estratégico para o Brasil”, diz o professor Giovanni Rodrigues Viana, pesquisador da Embrapa.

A aposta na viabilidade do Arsenal tem ainda outro objetivo. Para a Embrapa, se o Arsenal for usado paralelamente ao Roundup Ready, poderia retardar o desenvolvimento de resistência por parte de pragas e ervas daninhas combatidas com um único herbicida. Segundo a Embrapa, o Arsenal tem ainda uma vantagem técnica em relação ao Roundup Ready: poder residual maior de ação, que permitiria apenas uma aplicação por safra.

Apesar de tentar viabilizar a BR-16, que seria cuidada com Arsenal, a Embrapa acredita que a Monsanto continuará muito forte nesse setor. “Existe a tendência de o Roundup Ready ser usado em larga escala. Ele é de domínio público, tem baixíssimo custo de produção”, afirma o chefe de projetos de soja da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Elíbio Rech.


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