Brasil entra para grupo de elite dos transgênicos

Agronegócio

Brasil entra para grupo de elite dos transgênicos

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Mesmo sem ter definido as regras do jogo, País aparece entre os cinco maiores produtores de OGMs do mundo. A Lei de Biossegurança ainda nem saiu do Congresso, mas o contrabando de sementes transgênicas de soja e algodão e a ousadia de alguns agricultores está fazendo com que o Brasil já desponte como um dos líderes no cultivo e pesquisas de organismos geneticamente modificados (OGMs) em todo o mundo. A avaliação faz parte de um relatório desenvolvido pela Universidade de Minnesota. Nele, Brasil, juntamente com Estados Unidos, Argentina, Canadá e China são considerados os líderes quando o assunto é transgênicos.

"O Brasil tem um potencial de crescimento muito grande. Apesar de a soja transgênica já ser cultivada há alguns anos, ela ainda tem um espaço grande para crescer juntamente com a cultura de algodão, que já ocupa seus primeiros hectares", afirma Ford Runge, diretor do Centro para Política Internacional de Alimentação e Agricultura da Universidade de Minnesota.

Valor das lavouras:

Na safra 2003/04, o valor das lavouras transgênicas ao redor do mundo é estimado em US$ 44 bilhões, sendo que o Brasil ocupa a quinta colocação no ranking mundial, com uma fatia de 3,64% desse valor, com US$ 1,6 bilhão. Os EUA ocupam a primeira posição, com um valor de US$ 27,5 bilhões, seguidos pela Argentina com US$ 8,9 bilhões, China com US$ 3,9 bilhões e Canadá com US$ 2 bilhões. "Juntos, os cinco países representam 98% do valor mundial das lavouras transgênicas", diz Runge.

Na próxima década, na medida em que mais países em desenvolvimento aprovarem o cultivo de culturas transgênicas, as estimativas indicam que o valor global das lavouras geneticamente modificadas aumentará em quase cinco vezes, atingindo US$ 210 bilhões.

Menos de uma década depois da primeira colheita de lavouras transgênicas no planeta, o estudo indica que existem 18 países cultivando plantas geneticamente modificadas e outros 45 com trabalhos de pesquisa e desenvolvimento nessa área. "A adoção de técnicas de cultivo de organismos geneticamente modificados já ganhou proporções globais e irá continuar se disseminando nos próximos anos", afirma o pesquisador americano.

Os principais avanços na área de pesquisa e desenvolvimento estão acontecendo nos países de economia em evolução. Segundo o relatório, na Ásia, a China tem investindo centenas de milhares de dólares todos os anos em pesquisa para atender seu grande e crescente mercado consumidor. Na Índia, existem pelo menos 20 instituições envolvidas em pesquisa e desenvolvimento de culturas transgênicas. O estudo indica que a adoção destas culturas, nos países em desenvolvimento, poderá elevar o Produto Interno Bruto (PIB) dessas nações em 2%.

"Na América Latina, a Argentina e o Brasil são os principais países a influenciar os demais a impulsionar o crescimento. No continente africano, a África do Sul tem todas as condições para ser a principal potência em organismos modificados do continente", afirma.

Apesar do avanços conseguidos e do potencial de crescimento que os transgênicos ainda têm no mundo, a oposição da Europa tem recebido atenção especial. "Se a União Européia continuar a restringir a atividade no setor, a difusão global terá seu ritmo reduzido, mas não poderá ser detida. Porém, se os europeus adotarem a biotecnologia haverá um rápido estímulo à difusão e adoção internacional", diz Runge.

As tendências para o cultivo de organismos geneticamente modificados para os próximos dez anos são positivas, na avaliação do pesquisador. Em sua opinião, a expansão das lavouras transgênicas continuará em ascensão dado o avanço e o desenvolvimento das tecnologias. "Existe uma expectativa de crescimento significativo na Ásia, América Latina e África. Nos países dessas regiões, no entanto, a expansão ficará limitada ao tamanhos dos investimentos a serem realizados, da regulamentação do cultivo e da assistência técnica fornecida", afirma Runge, ao lembrar que a América do Norte, o Leste Europeu, China, Brasil, Argentina, África do Sul, Austrália e Índia serão os principais centros de influência para o desenvolvimento das lavouras modificadas.

Cresce área cultivada:

De acordo com o último relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa), em 2003, houve um crescimento de 15% na área mundial plantada com transgênicos, representando 67,7 milhões de hectares.

O Isaaa aponta que a soja continua sendo a cultura transgênica mais plantada em todo o mundo, com um aumento de 13% de área plantada e alcançando a marca de 41,4 milhões de hectares – 55% da soja mundial. A adoção de novas variedades em alguns países levaram ao maior crescimento de área plantada com milho, cerca de 25%, atingindo um total de 15,5 milhões de hectares – 11% do total. Quanto ao algodão, o Isaaa aponta um crescimento de 6%, em um total de 7,2 milhões de hectares (21% da área mundial de algodão).


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