Brasil inicia plantio de soja em áreas irrigadas
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Imagem: Marcel Oliveira

SAFRA 20/21

Brasil inicia plantio de soja em áreas irrigadas

Em áreas de sequeiro, o produtor vai esperar as primeiras chuvas
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Com o fim do vazio sanitário em Mato Grosso, nesta semana, e a semeadura já permitida em Estados como Mato Grosso do Sul, produtores iniciam o plantio da soja 2020/21 no Brasil, mas apenas em áreas irrigadas, visto que chuvas significativas para a cultura devem chegar somente no início de outubro.

Estima-se que Mato Grosso, maior produtor da oleaginosa no país, conte com ao menos 131,4 mil hectares irrigados por pivô central, de acordo com levantamento mais recente da associação de produtores irrigantes do Estado Aprofir, referente à 2019.

“Quase que a totalidade dessas áreas é de soja na safra de verão, onde depois serão cultivados algodão, milho na segunda safra e feijão na terceira”, disse o secretário executivo da Aprofir, Afrânio Cesar Migliari.

Considerando uma área de plantio estimada em 10,2 milhões de hectares com soja em Mato Grosso nesta temporada, Migliari acredita que há um grande potencial de crescimento para a irrigação na região.

“Com certeza, muitos produtores que estão mais capitalizados depois de exportações recordes neste ano e um dólar em patamar elevado vão investir neste tipo de infraestutura”, estimou o executivo ao ressaltar o avanço na utilização de recursos próprios para a compra de equipamentos de irrigação.

De acordo com o analista Adriano Gomes, da consultoria AgRural, o plantio de soja também começou em áreas irrigadas de São Paulo, no oeste de Santa Catarina e também em Mato Grosso do Sul.

“Em áreas de sequeiro, o produtor vai esperar as primeiras chuvas”, disse o especialista, acrescentando que, com o fim do período do vazio sanitário contra o fungo da ferrugem, produtores já poderiam iniciar os trabalhos se houvesse previsão de chuvas.

É o caso do Paraná, onde ainda não foram iniciados os trabalhos de semeadura em função do clima seco.

O cenário das lavouras paranaenses se assemelha ao visto no ano passado, quando os produtores também aguardavam o aumento da umidade para plantar a oleaginosa, lembrou o economista do Departamento de Economia Rural (Deral) Marcelo Garrido.

No entanto, ele disse que há previsões de alguma chuva para o próximo fim de semana e, se isso se confirmar, certamente os primeiros trabalhos vão acontecer.

Em Mato Grosso, a recomendação é que o produtor tenha cautela, e a falta de chuvas ainda não é motivo para preocupação, pois mesmo em anos anteriores o Estado já vem realizando quase que a totalidade do plantio em outubro, mês considerado a janela ideal para a implantação das lavouras, explicou o presidente da associação de produtores Aprosoja-MT, Antônio Galvan.

“Todo ano é desse jeito. O plantio é permitido em setembro, mas o período ideal é outubro e, em última instância, os trabalhos podem se estender até dezembro”, disse Galvan.

Apostando em uma safra de alta produtividade, ele afirmou que a meta é bater as 57 sacas por hectare registradas na temporada de 2019/20.

Apesar da perspectiva otimista de Galvan, o órgão estadual Imea é mais comedido e estima a produção de Mato Grosso em 35,18 milhões de toneladas nesta temporada, leve queda de 0,62%.

O Brasil, maior produtor e exportador do grão, deve colher um recorde de 133,5 milhões de toneladas em 2020/21, com aumento de 3% na área plantada, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

CHUVA DE PRIMAVERA
Os modelos climáticos indicam o retorno de chuvas, ainda irregulares, na segunda quinzena de setembro, acompanhando a chegada da primavera. No entanto, ela pode beneficiar o plantio apenas em regiões dos Estados do Sul, estimou o meteorologista da Somar Meteorologia Celso Oliveira.

“A chuva boa, mais significativa para a implantação do plantio está prevista para outubro, beneficiando principalmente as regiões Sudeste e Centro-Oeste, e que pode se espalhar pelo Brasil”, afirmou.

Ainda que as precipitações não alcancem todas as áreas do Sudeste e Centro-Oeste no início do mês que vem, até o final de outubro é provável que isso aconteça, fato que pode deixar os produtores mais “tranquilos”.

Segundo Oliveira, o único ponto negativo pode estar nos Estados mais ao Norte e Nordeste, na região do Matopiba --Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia-- cuja previsão é de que a chuva chegue de maneira regular somente em meados de dezembro.

“Na última safra aconteceu algo muito semelhante, tem quem conseguisse plantar apenas em janeiro nesta região”, pontuou.

Apesar do fenômeno climático La Niña, configurado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, o especialista disse que sua intensidade vai de fraca à moderada, o que limita danos às regiões produtores, principalmente do Sul, por falta de chuvas.

“Não há expectativa de uma seca tão prolongada e pegando tantos municípios no Sul como foi no ano passado, porque temos um fenômeno não tão forte e alguns outros fatores climáticos que compensam esse cenário negativo do La Niña. A maior preocupação pode ficar para o outro lado, na Argentina”, acrescentou.


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