Brasil não é o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo

Agronegócio

Brasil não é o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo

Afirma professor Luiz Foloni, da Unicamp
Por: -Leonardo Gottems
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O engenheiro agrônomo Luiz Lonardoni Foloni, professor e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), desmente um dos maiores mitos da agricultura brasileira – a de que o País seria o maior consumidor de defensivos agrícolas no mundo. Segundo ele, o erro ocorre porque se pinça equivocadamente apenas o valor total utilizado, manipulando uma estatística fora do seu contexto.

O especialista sustenta que o cálculo correto (do ponto de vista científico e técnico) seria relacionar a quantidade de ingrediente ativo aplicado por unidade de área de produção. “Considerando o uso por unidade, Holanda e Japão são os maiores consumidores de defensivos. O Brasil está lá para o décimo lugar”, revela Foloni.
 
Ele ressalta também que não deve ser desconsiderado o fator climático: o Brasil, por ser majoritariamente tropical, não conta com invernos rigorosos, que naturalmente eliminariam pragas e ervas daninhas. Por ser uma região quente e úmida, há muito mais facilidade de proliferação de insetos e doenças nas lavouras, exigindo o uso de defensivos.

“Além disso, nós cultivamos duas, três safras em um mesmo ano, um ativo que os outros não têm. Tudo isso precisa ser avaliado”, explica. Foloni defende que “não é verdade” a afirmação de que o produtor rural utiliza defensivo sem critério.

“Grandes e médios produtores, além dos pequenos agricultores mais bem informados fazem o manejo correto. O desafio é levar educação focada em boas práticas agrícolas a quem ainda não tem acesso”, afirma. Ele admite, porém, que a ciência de proteção de cultivos é mal explicada para o grande público, que por outro lado é influenciado por ativistas que disseminam terror infundado.

O professor lançou no mês passado, durante o 30º Congresso da Ciência de Plantas Daninhas, o livro “2,4-D: Uma Visão Geral”. Em entrevista ao Portal Agrolink, ele conta que esse agroquímico foi o “primeiro herbicida orgânico sintetizado pelo homem, lá na década de 1940”.

“Sempre fez muito sucesso, e até hoje é o herbicida mais utilizado na produção de cereais. Apareceram uma série de dúvidas e confusões, como o erro de dizer que fazia parte do ‘agente laranja’, usado como arma no Vietnã. Então surgiu a ideia de colocar em livro todo o histórico do 2,4-D, desmentir as controvérsias e apontar que não existe razão toxicológica para retirar o produto do mercado, porque é seguro”, conclui.
 

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