Brasil prevê importar menor volume de trigo desde 2004/2005

Agronegócio

Brasil prevê importar menor volume de trigo desde 2004/2005

O Brasil deverá importar no ano-safra 2009/10 (agosto/julho) cerca de 5,6 milhões de t de trigo, o menor volume em cinco temporadas
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O Brasil deverá importar no ano-safra 2009/10 (agosto/julho) cerca de 5,6 milhões de t de trigo, o menor volume em cinco temporadas, informou nesta terça-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O País, que costuma eventualmente aparecer como o maior importador do mundo, iniciará a nova safra com grandes estoques remanescentes de 2008/09, por volumes significativos importados no período, de mais de 6 milhões de t, e por ter obtido uma das maiores colheitas de sua história, segundo dados da estatal.

Colabora ainda para uma expectativa de menor importação do grão em 09/10 a previsão de uma safra abundante neste ano, cuja colheita se inicia em agosto, além de contínuas compras externas de farinha de trigo argentina.

"Trabalhamos com um número menor de importação em 09/10 porque temos muito trigo do ano passado e estamos entrando em uma safra tão grande quanto a do ano passado", disse nesta terça-feira o analista de trigo da Conab, Paulo Magno Rabelo.

Quando bateu recordes de importações, em 06/07, o Brasil chegou a comprar no exterior 7,8 milhões de t. Nesta terça-feira, a Conab estimou em seu relatório de safra de grãos a produção de trigo em 09/10 em 5,6 milhões de t, contra 6 milhões de t em 08/09.

No balanço de oferta e demanda, além de prever as menores importações desde 2004/05, quando o País importou 5,3 milhões de t, a Conab também apurou um estoque inicial de 2,5 milhões de t para 09/10.

Considerando o trigo de qualidade mais baixa, que vai para a fabricação de ração, o cereal utilizado para semente e aquele para a produção de farinha de trigo, o consumo brasileiro está estimado em 09/10 em 11 milhões de t, ante 10,8 milhões no ano anterior.

Para fazer frente ao ligeiro aumento do consumo interno, o País conta com os estoques satisfatórios para começar a safra, disse o analista.

Um porém é que a indústria brasileira tem restrições quanto à qualidade de uma parte da produção local, que teria especificações não totalmente adequadas à produção de farinha para panificação.

"O Brasil tem 725 mil t nos estoques públicos e 1,8 milhão com o setor privado, estoques suficientes para dois meses de consumo, um volume normal para o meio do ano", disse Rabelo, acrescentando que o governo apenas venderia o seu trigo no primeiro semestre do ano que vem, para não pressionar os preços pagos ao produtor.

Do total em estoque, 600 mil t ainda estão com os produtores, enquanto 1,2 milhão de t já estão nos silos dos moinhos.

Embora a Conab tenha mantido em seu levantamento de julho a previsão de safra de trigo praticamente inalterada, o analista da estatal avalia que, até a finalização do plantio no Rio Grande do Sul, a previsão pode ser elevada.

"Esse número (de 5,6 milhões de t para 09/10), no meu entendimento, vai caminhar para 6 milhões de t", disse ele.

A Conab ainda aponta uma redução de cerca de 300 mil t na safra gaúcha ante 08/09, para 1,7 milhão de t, enquanto estima a produção no Paraná, líder nacional, em 3,2 milhões de t, estável em relação à temporada passada.

Uma maior produção, somada aos estoques remanescentes de 08/09, pode ajudar a amenizar mais um ano de provável escassez na oferta na Argentina, o principal fornecedor de trigo ao Brasil.

A semeadura na Argentina está atrasada, em meio a uma persistente seca que afeta os cultivos do país vizinho.


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