C&T - Controle para o arroz vermelho

Agronegócio

C&T - Controle para o arroz vermelho

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O arroz vermelho é considerado a invasora que mais causa danos à lavoura orizícola gaúcha pela redução da produtividade, depreciação do produto final, dificuldade de controle, extensão e alto grau de infestação das áreas cultivadas. Além disso, ele provoca elevação do custo de produção. O arroz vermelho é classificado como pertencente à mesma espécie do arroz cultivado, Oryza sativa L., tendo a coloração do pericarpo do grão avermelhada. Estima-se que o arroz vermelho infeste 95% da cultura do arroz no Rio Grande do Sul e provoque perdas de 1,3 milhão de toneladas (ou 266 milhões de dólares ao ano).

Apesar de algumas diferenças morfológicas, existe similaridade entre as plantas de arroz branco e de arroz vermelho quanto às características fisiológicas e bioquímicas. Em função disto, as plantas de arroz vermelho são tolerantes à quase totalidade dos herbicidas utilizados em arroz, limitando, deste modo, a utilização do controle químico. Alguns cientistas estudam estratégias de controle do arroz vermelho, a fim de minimizar seus prejuízos.

O trabalho de revisão “Arroz vermelho: ecofisiologia e estratégias de controle”, publicado por Agostinetto e colaboradores (2001), teve como objetivo descrever as características ecofisiológicas do arroz vermelho, bem como discutir estratégias que favoreçam o arroz cultivado na competição pelos recursos do meio ou que limitem seu estabelecimento. Devido às semelhanças morfofisiológicas entre ambos, o controle do arroz vermelho não pode ser realizado através do uso isolado de herbicidas seletivos, requerendo a combinação de diversas ações integradas, as quais envolvem métodos preventivos, culturais, físicos e químicos.

Segundo os pesquisadores, a presença de elevada infestação de arroz vermelho torna inviável o cultivo de arroz, especialmente quando a dimensão da lavoura impossibilita o controle manual. Nessa situação, os métodos de controle mais eficazes são: uso de sementes pré-germinadas, preparo antecipado do solo com semeadura direta e emprego da rotação de culturas.

O artigo de Agostinetto enfatiza, porém, que o sucesso na elaboração de estratégias que visem à diminuição da interferência do arroz vermelho sobre o arroz cultivado depende das características morfofisiológicas das cultivares de arroz, intensidade de infestação e biótipo de arroz vermelho predominante, disponibilidade de máquinas, de investimento e nível de conscientização do orizicultor. “O desenvolvimento de um ideotipo de planta mais competitivo com as plantas daninhas, sem prejuízo à capacidade produtiva, reduzirá a necessidade de controle e tornará o setor orizícola mais sustentável”, afirmam os autores.

Em 2006, pesquisa publicada por Villa e colaboradores avaliava o controle de arroz-vermelho e o desempenho de dois genótipos de arroz irrigado, a cultivar IRGA 422 CL e o híbrido Tuno CL, tolerantes ao herbicida de nome comercial Only (Basf), em áreas com alta infestação de arroz-vermelho. O experimento foi conduzido em Santa Maria/RS no ano agrícola 2004/05.

Constatou-se que o híbrido é mais tolerante ao herbicida Only, quando comparado a cultivar IRGA 422 CL, sendo possível a utilização da dose total de até 200% no híbrido, em áreas com alta infestação de arroz-vermelho, sem afetar a produtividade. Porém é importante salientar que o incremento da dose do herbicida pode causar problemas de residual a culturas não tolerantes semeadas na seqüência. O controle de arroz-vermelho é total com aplicação fracionada do herbicida em pré e pós-emergência (PRÉ + PÓS), desde que o total aplicado não seja inferior a 125%. Essa condição é atendida pelo tratamento com 75% em PRÉ seguido de 50% em PÓS, o qual propicia a menor dose total entre aqueles com 100% de controle, não afetando a produtividade e apresentando fitotoxicidade semelhante ao tratamento com 100% em PÓS, utilizado como referência.

Bibliografia
AGOSTINETTO, Dirceu et al. Arroz vermelho: ecofisiologia e estratégias de controle. Cienc. Rural, vol.31, n.2, pp. 341-349, 2001.


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