Café sobe 4,6% e tem a maior alta em quatro anos

Agronegócio

Café sobe 4,6% e tem a maior alta em quatro anos

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Os preços do café atingiram o maior nível em quatro anos na Bolsa de Nova York e fecharam em forte alta de 4,6% no dia. Mais do que a quebra de uma barreira psicológica, a notícia causou furor entre os exportadores, que estão refazendo as projeções de quanto o Brasil pode exportar em 2005.

Há quem projete que as vendas externas cheguem a US$ 2,5 bilhões no próximo ano, o que representaria um crescimento de 25% em relação ao que será embarcado em 2004. O café é um dos principais produtos da pauta de exportações do agronegócio.

Tanta euforia não é para menos. De acordo com a Organização Internacional do Café (OIC), vai faltar café no próximo ano. O déficit mundial é calculado em 7 milhões de sacas, o equivalente a toda a produção do Espírito Santo, segundo maior produtor do Brasil. "Estamos cobertos de glórias. Será um ano de ótimos preços e forte demanda externa", diz um trader.

O déficit mundial é resultado da redução da safra brasileira. A lavoura, maltratada por quatro anos consecutivos de preços baixos, deve ser 15% menor, totalizando 33 milhões de sacas em 2005/06. A produção de café arábica, considerado de qualidade superior, vai cair 25%, enquanto a colheita de café robusta, de qualidade inferior, vai aumentar 27%. Ou seja, vai faltar café de qualidade no mercado mundial.

Essa constatação já está se refletindo nos preços. No mercado interno, os cafeicultores já estão recebendo um prêmio pelo café arábica.

O ágio, atualmente em 77%, é o maior verificado nos últimos três anos. No ano passado, a diferença de preços foi de cerca de 36%. "O café arábica está cada vez mais escasso no mundo", diz Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, uma das mais tradicionais corretoras do mercado.

Para analistas, o repasse da alta de preços para o varejo é apenas uma questão de tempo. Nos Estados Unidos, a Sara Lee, uma das maiores torrefadoras do mundo, já anunciou que vai reajustar os preços ao consumidor final.

No Brasil, o reajuste já é dado como certo. Ele deve acontecer até o segundo trimestre do próximo ano.


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