Câmbio argentino desbanca a soja produzida no Brasil

Agronegócio

Câmbio argentino desbanca a soja produzida no Brasil

Desde 2001, a valorização do grão argentino foi de 385% e a do brasileiro ficou em 58%
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Desde 2001, a valorização do grão argentino foi de 385% e a do brasileiro ficou em 58%. Apesar de em janeiro de 2001 o câmbio no Brasil ter sido semelhante ao atual - em torno de R$ 1,95 - o preço da soja (posta no porto) em maio deste ano ficou em Real 58% acima do negociado no primeiro mês de 2001. É resultado da valorização do produto na Bolsa de Chicago (CBOT). O que parece ser uma boa notícia para os brasileiros é melhor ainda para os argentinos. Nesse mesmo período, o preço da soja em moeda local (Peso) ficou 385% maior, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).

"Mesmo com margem apertada, o produtor brasileiro terá que investir em tecnologia e em estratégias de comercialização para fazer frente à concorrência do vizinho", avalia Lucílio Alves, pesquisador do Cepea.

As diferenças cambiais entre os dois países são grandes. Na média de maio, o dólar no Brasil custou R$ 1,92 e, na Argentina, $ 3,08. Em maio, os ganhos da soja na CBOT - que foram de 2,2% - foram anulados no Brasil com a queda do dólar de 2,23%, segundo Alves. E ontem, a moeda americana voltou a recuar diante do Real, fechando a R$ 1,93.

Apesar de os preços internacionais estarem sustentando a perda com dólar, o receio do setor é que em algum momento essas cotações vão voltar para a média história, avalia o gerente-técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Estudo feito pela entidade, mostra que se os preços da soja voltarem aos patamares históricos - US$ 228onelada - o câmbio teria que estar em R$ 2,20 para remunerar o produtor paranaense. Para o milho, essa condição é mais desvantajosa. Se o grão voltasse para os preços históricos de US$ 115onelada, o dólar teria que valer R$ 2,80. "Isso porque os produtores do Paraná estão mais próximos do porto que os outros sojicultores brasileiros", pondera Turro.

O pesquisador do Cepea pondera que o levantamento considera diferenças entre preços da soja entre Brasil e Argentina, posto no porto. Apesar disso, é inevitável não estender essa diferenciação para a rentabilidade do produtor. "Não incluímos os custos de produção dos sojicultores de ambos países no estudo, mas com certeza o dos argentinos é menor", diz Alves.

Por isso, o cenário é de adaptação, a começar pela redução de custos de produção. Numa relação direta, o preço dos insumos deveria cair junto com o dólar. Ele pondera, entretanto, que a oferta e a demanda também influenciam esse movimento e é a variável está tendo grande impacto neste ano. "No caso dos fertilizantes, por exemplo, o Brasil depende de importação. Como a demanda mundial está aquecida, os preços estão subindo, ao invés de descer, principalmente porque os Estados Unidos decidiram aumentar área de milho, cultura que exige mais nitrogenados que a soja", compara.

Outra mudança advinda da nova realidade cambial do Brasil diz respeito às formas de comercialização. Segundo o pesquisador, no Oeste do Paraná, por exemplo, foi constatado na safra 2006/07 aumento significativo por escambo, a troca de insumos por entrega futura de produto. O representante da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, não acredita que o escambo seja a melhor alternativa para fugir da oscilação cambial. "No final das contas, o produtor acaba pagando de 3% a 4% de juros ao mês nessa operação", diz Sperotto.


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