Canola deve ganhar mais espaço em áreas do Rio Grande do Sul
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Agronegócio

Canola deve ganhar mais espaço em áreas do Rio Grande do Sul

Produtores têm obtido rendimento médio de até 2,5 mil kg/ha
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Produtores têm obtido rendimento médio de até 2,5 mil kg/ha

O Brasil verificou na safra do ano passado uma área cultivada com canola de aproximadamente 60 mil hectares, sendo que o Rio Grande do Sul, com cerca de 35 mil hectares, figurou como o maior produtor. A expectativa é de que nos próximos cinco anos mais do que dobre a área plantada dessa oleaginosa em solo gaúcho, mesmo após a seca que atingiu a cultura neste ano.


O pesquisador da Embrapa Trigo Gilberto Tomm destaca que a canola proporciona uma oportunidade ímpar para os agricultores, que é uma segunda safra de grãos. A cultura encaixa-se no sistema de produção, sem atrapalhar o cultivo de verão. Ele lembra que no Rio Grande do Sul a área destinada para a soja e o milho totaliza em torno de 5 milhões de hectares. No inverno, esse espaço poderia ser aproveitado para o desenvolvimento da canola. A cultura tem um ciclo de 90 a 120 dias. A produtividade média obtida no Brasil atualmente é de 1,6 mil kg/ha. Entretanto, o aperfeiçoamento da produção no emprego de tecnologias adequadas tem permitido que os produtores consigam até 2,5 mil kg/ha, o que ainda é bem inferior do potencial de 4,5 mil kg/ha, que é o potencial genético dos híbridos empregados no País.


Outro ponto ressaltado por Tomm é que o preço pago pela canola, hoje, é similar ao da soja, que se encontra em níveis elevados. Segundo ele, o mercado é francamente comprador e interessado na produção. O óleo da canola, quando empregado para a alimentação humana, apresenta boa qualidade, substituindo o de soja, possibilitando reduzir o mau colesterol e o risco de doenças coronárias. O pesquisador também cita como opção a fabricação de biodiesel e a exportação desse biocombustível para a Europa. Ele argumenta que, como o biodiesel produzido a partir da canola tolera baixas temperaturas, o biocombustível é adequado às características do norte da Europa, o que não ocorre com o insumo oriundo da soja ou da gordura animal. Tomm relata que na Europa cerca de 70% do óleo de canola é empregado na produção de biodiesel. O pesquisador comenta ainda que esse continente possui uma capacidade instalada para a produção de biodiesel bastante elevada e existem metas de expansão do uso de combustíveis renováveis. A questão mais problemática é ter matéria-prima local para essa indústria, já que as áreas disponíveis para ampliar a produção agrícola na Europa são muito limitadas. No Brasil, o cultivo da canola pode ser realizado com financiamento e seguro agrícola, o que diminui o risco de perdas financeiras. Para realizar o plantio é necessário que o produtor adquira as sementes com as empresas que oferecem assistência técnica e garantia de compra de toda a produção. Tomm revela que a Embrapa Trigo está elaborando com alguns parceiros um projeto para o desenvolvimento de pesquisa e transferência de tecnologia para a cultura da canola. A expectativa é obter do governo federal recursos na ordem de R$ 12 milhões para concretizar essa ação.

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