Cargill estuda vender divisão que interessaria a Vale e BHP

Agronegócio

Cargill estuda vender divisão que interessaria a Vale e BHP

A gigante de agronegócios planeja vender o controle da Mosaic Co
Por: -Gina Chon, Anupreeta Das e Scott Kilman - The Wall Street Journal
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A gigante de agronegócios Cargill Inc. planeja vender o controle da produtora de fertilizante Mosaic Co., numa transação avaliada em cerca de US$ 24,3 bilhões, disseram pessoas a par da questão.

Um acordo poderia ser anunciado ainda na segunda-feira, disseram as pessoas. Mas elas alertaram que as negociações, que estavam em andamento ao fechamento desta edição, podem demorar mais tempo para chegar a um termo.

A transação prenuncia uma reorganização significativa da Cargill, ume empresa de capital fechado que é uma das maiores, mas menos conhecidas, empresas americanas.

O acordo deixaria a Mosaic, uma das maiores produtores de fosfato e potassio do mundo, sem um acionista controlador e a tornaria mais atraente para possível compradores, disseram as pessoas a par da questão. A Mosaic, sediada em Plymouth, no Estado americano de Minnesota, tem valor de mercado na faixa de US$ 38 bilhões.

As empresas envolvidas na produção de nutrientes agrícolas são vistas como alvos atraentes para aquisições, devido à demanda crescente por alimentos em países como a China e as restrições na oferta mundial de comida.
[Cargill]

Empresas como a BHP Billiton Ltd., que fez uma oferta fracassada de US$ 38,6 bilhões para comprar a canadense Potash Corp. of Saskatchewan, e a Vale S.A., que tem ampliado suas operações em fertilizantes, podem estar interessadas na Mosaic, acrescentaram as pessoas.

A Cargill tem 286 milhões de ações da Mosaic, ou cerca de 64% dela, o que dá a sua participação um valor em torno de US$ 24,3 bilhões com base na cotação de cerca de US$ 85 da Mosaic no pregão de ontem.

A transação é estruturada para minimizar os impostos para todas as partes. A companhia planeja oferecer sua fatia na Mosaic para acionistas da Cargill em troca de ações da Cargill.

A Margaret A. Cargill Foundation e outras entidades da família dos fundadores são os maiores acionistas envolvidos na transação, disseram pessoas a par da questão.

Depois de receber as ações da Mosaic, os acionistas têm a opção de vendê-las, seja no mercado aberto ou para compradores privados, possivelmente incluindo fundos soberanos, disseram as pessoas.

A Cargill também vai quitar algumas dívidas, trocando-as por ações, acrescentaram, o que reduziria o serviço da dívida e melhoraria o balanço da empresa.

O acordo representa um retorno fabuloso para o investimento inicial da Cargill na Mosaic, criada no início de 2004 pela diretoria da Cargill com a combinação de seus ativos de fertilizantes no valor de US$ 1,7 bilhão com a IMC Global Inc. uma gigante dos fertilizantes que na época era deficitária.

A venda da Mosaic seria a mais recente medida da empresa para recompensar seus donos se esquivando da única opção que sempre foi proibida para a empresa: abrir o capital. Os gerentes da Cargill argumentam há muito tempo que deixar o capital fechado os ajuda a navegar os voláteis mercados de commodities sem ter que lidar com as expectativas de curto prazo de Wall Street.

A Cargill, que gerou faturamento de US$ 107,9 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de maio de 2010, é uma das maiores empresas de capital fechado dos EUA. Suas operações abarcam muitas atividades agrícolas mundiais, de matadouros de suínos dos EUA à exportação de produtos agrícolas para a China e o beneficiamento de algodão na África.

A maioria das ações da empresa, fundada há 145 anos, está em poder das centenas de descendentes das famílias fundadores MacMillan e Cargill, unidas pelo casamento há mais de um século.

A Cargill foi fundada por William Wallace Cargill, filho de um capitão naval escocês, que abriu negócio de silos no Estado de Iowa em 1865. Muitos descendentes fizeram carreira na empresa, geralmente começando de baixo em locais afastados do globo. A frugalidade da família era legendária. Apesar do tamanho sempre crescente da Cargill, os dividendos eram modestos e os familiares geralmente vendiam as ações a uma fração de seu valor potencial.

Mas nas últimas décadas uma parte cada vez maior do trabalho dos executivos do alto escalão da Cargill tem sido administrar as vontades financeiras dos donos mais jovens, dos quais muitos resolveram fazer carreira fora da empresa. O último diretor-presidente da família foi Whitney MacMillar, que se aposentou em 1995.

A partir dos anos 90, a empresa afrouxou sua fórmula de dividendos, colocou membros mais jovens da família no conselho e criou um plano de pagamento em ações para os funcionários, criando um meio de a família vender algumas ações. Cerca de 25.000 empregados da Cargill controlam hoje 7% da empresa graças a esses planos.

A Cargill tem um longo histórico de investir em negócios quando caíram do gosto da maioria dos investidores. A Cargill criou a Mosaic em 2004, quando os mercados mundiais de grãos estavam em baixa e o preço do fertilizante tinha caído.

A Cargill se beneficiou do boom mundial de grãos, em parte exportando mais produtos agrícolas. Mas o impacto maior em seus resultados veio de sua fatia majoritária da Mosaic, cuja ação já dobrou desde junho. A Cargill divulgou uma semana atrás que seu lucro líquido do segundo trimestre fiscal, encerrado em 30 de novembro, triplicou para US$ 1,49 bilhão frente a um ano antes. Cerca de 44% do lucro da Cargill veio da Mosaic.

No início do mês, a Cargill anunciou lucro de US$ 1 bilhão no segundo trimestre fiscal de 2011, ante US$ 107,8 milhões no mesmo período de 2010. A Mosaic teve faturamento líquido de US$ 2,7 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2011, ante US$ 1,7 bilhão no mesmo período do ano passado.

Os futuros resultados da Cargill ficariam mais modestos sem a colaboração da Mosaic, mas o lucro da venda pode ajudar a empresa a realizar mais aquisições em áreas diferentes. Embora a alta dos grãos esteja impulsionando o lucro de muitas empresas agrícolas e de alimentos, ela também está criando dificuldades financeiras para muitas empresas, aumentando a necessidade de capital de giro e tornando-as mais vulneráveis a tentativas de aquisição.

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