Causas e consequências da estrelinha na citricultura

Agronegócio

Causas e consequências da estrelinha na citricultura

Saiba o que o produtor pode fazer para que sua safra não seja comprometida
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Dr. Antonio de Goes, fitopatologista e professor na Unesp de Jaboticabal, explica causas e consequências da estrelinha na citricultura.

O fitopatologista comenta como a doença pode afetar a produtividade dos pomares e o que o produtor pode fazer para que sua safra não seja comprometida pela doença.

O que é a estrelinha e quais os principais sintomas que apresenta?
 
É uma doença causada pelo fungo Colletotrichum acutatum durante o período de florescimento das plantas cítricas. O fungo infecta as pétalas e o fruto formado a partir dessas flores cai precocemente, deixando apenas o cálice retido na planta, um disco floral que se parece com uma estrela. Daí o nome estrelinha. A doença também é conhecida como queda prematura dos frutos jovens ou podridão floral. Mesmo que somente uma pétala esteja infectada, o fruto gerado por essa flor cairá muito jovem.

Que danos a doença pode causar à cultura de citros?

A doença causa redução da produção e distúrbio fisiológico na planta. Seu impacto sobre as culturas de laranjas, limões verdadeiros e limas ácidas (limão-tahiti) é elevado, chega a reduzir em mais de 80% a produtividade na lavoura.

Qual o período de maior incidência da doença?

O período de suscetibilidade se estende do estádio de primórdio floral até a semana subsequente à completa queda natural das pétalas. Quanto maior o tempo de florescimento, mais longo o tempo de exposição e, eventualmente, das infecções. Em plantas com alto potencial de produção, quando os níveis de infecção são elevados, os poucos frutos vingados tendem a crescer mais que o devido e podem apresentar características agronômicas indesejáveis.

O que o produtor deve fazer para que sua lavoura não seja afetada? E se já houver incidência da doença, como deve proceder?

O produtor deve considerar os antecedentes da doença na lavoura e acompanhar as previsões climáticas para o período em que ocorrerá o florescimento, para, dessa forma, se precaver. Chuvas e alto índice de umidade favorecem a ocorrência da doença. A primeira aplicação de fungicida deve ocorrer quando 50% a 75% dos botões florais estiverem no princípio do florescimento (estádio cabeça-de-fósforo) e devem ser realizadas aplicações adicionais até a queda total das pétalas. Em ambientes favoráveis à doença, as pulverizações devem ocorrer em intervalos entre cinco e sete dias, em número suficiente para permitir boa proteção da florada. Em regiões mais úmidas e frias, o tempo de florescimento é maior e as aplicações devem ser mais frequentes.

Qual é o momento ideal para iniciar o manejo da doença?

Uma dúvida comum dos citricultores é sobre início ideal dos tratamentos. Em anos de florescimento uniforme, devem-se iniciar os tratamentos quando 50% a 70% das flores estiverem no estádio cabeça-de-alfinete/cabeça-de-fósforo.

Entretanto, em anos cujas floradas ocorram irregularmente, mesmo com as flores iniciais ainda em baixa intensidade, também se faz necessária a realização de tratamentos. Esse tratamento, porém, pode ser realizado de forma mais rápida, já que o objetivo primordial é evitar que as flores iniciais sejam infectadas. Dessa forma, elas não se tornarão um reservatório das estruturas do fungo gerando prejuízos na época da florada principal, considerada a fase mais importante economicamente para a cultura.

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