As cotações da soja em Chicago permaneceram estáveis durante a semana, apesar dos números do relatório do USDA divulgados em 12/09. O preço do bushel da oleaginosa para o primeiro mês cotado (novembro/23) encerrou a semana em US$ 13,60, em comparação com US$ 13,59 na semana anterior.
Conforme análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a cotação de setembro, que saiu de circulação em 14/09, ficou em US$ 13,43, frente a US$ 13,45 uma semana antes. O novo relatório do USDA reduziu a estimativa da safra nos EUA em cerca de dois milhões de toneladas, devido aos efeitos climáticos dos últimos 30 dias. Agora, a produção dos Estados Unidos é estimada em 112,8 milhões de toneladas, com estoques finais de 5,99 milhões para 2023/24.
A produção mundial foi registrada em 401,3 milhões de toneladas, em comparação com 402,8 milhões em agosto, com estoques finais globais praticamente inalterados, totalizando 119,2 milhões de toneladas. As projeções para a safra no Brasil e na Argentina permaneceram em 163 e 48 milhões de toneladas, respectivamente. A China deve importar 100 milhões de toneladas de soja no novo ano 2023/24. Como resultado, o preço médio projetado para os produtores de soja nos Estados Unidos no novo ano comercial é de US$ 12,90 por bushel, em comparação com a média esperada de US$ 14,20 para 2022/23.
De acordo com o relatório, o índice de condições das lavouras nos EUA caiu para 52% na categoria de boas a excelentes em 10/09. Outras 30% das lavouras estavam em condições regulares, enquanto 18% foram classificadas como ruins ou muito ruins. Na mesma data, 31% das lavouras de soja estavam na fase de desfolha, em comparação com a média histórica de 25%. Apesar desses números, os preços em Chicago recuaram durante a semana, pois o mercado esperava um corte mais acentuado na produção e nos estoques finais dos EUA.
Os embarques de soja dos Estados Unidos na semana encerrada em 7 de setembro totalizaram 310.073 toneladas, um pouco acima do patamar mínimo esperado pelo mercado. No geral, o volume de embarques durante o ano comercial atual está 21% abaixo do mesmo período do ano anterior.
Na Argentina, os produtores venderam quase um milhão de toneladas de soja nos primeiros sete dias de setembro, impulsionados pela decisão do governo de flexibilizar o controle de capital, permitindo que os exportadores de grãos usem parte de sua receita em moeda estrangeira para comprar soja. Isso ocorre em meio a uma crise profunda no país vizinho, que enfrenta escassez de reservas cambiais e crédito limitado. Desde o anúncio da medida, os preços internos da soja aumentaram em 71 dólares por tonelada, atingindo US$ 443,00. Vale ressaltar que a última safra de soja na Argentina diminuiu 53% em relação ao ano anterior devido à seca, resultando em uma colheita final de apenas 20 milhões de toneladas. Segundo a Bolsa de Rosário, cerca de 7 milhões de toneladas dessa safra ainda não haviam sido vendidos até o final da primeira semana de setembro.
Em relação à demanda, a China aumentou suas importações de soja durante o ano comercial de outubro/22 a setembro/23, atingindo 93 milhões de toneladas até agora. Isso reflete uma melhora nas margens de esmagamento interno, uma maior demanda por ração e óleos vegetais, e uma recuperação nas exportações de farelo e óleo de soja no último trimestre.
No Brasil, com a taxa de câmbio variando entre R$ 4,90 e R$ 4,98 por dólar durante a semana, prêmios estáveis, mas tendendo para o lado positivo, e Chicago com pequenas quedas, os preços da soja se mantiveram globalmente estáveis, embora com uma leve tendência de baixa. A média de preços no Rio Grande do Sul encerrou a semana em R$ 143,67 por saco, enquanto as principais praças locais operaram na faixa de R$ 138,00 por saco. Em outras regiões do país, os preços da oleaginosa variaram entre R$ 116,00 e R$ 128,00 por saco.
Até 1º de setembro, a comercialização da safra nacional de soja 2022/23 atingiu 80,7% do total, em comparação com a média histórica de 88,8% para a mesma data. A produção final da última safra foi estimada em 157,1 milhões de toneladas. Quanto à futura safra 2023/24, aproximadamente 18,1% da colheita prevista (cerca de 163 a 164 milhões de toneladas) já foi comercializada, em comparação com a média histórica de 25,8% para o período.
É importante mencionar que o plantio da nova safra de soja começou de forma lenta em áreas do Mato Grosso, Paraná e Norte do país. Estima-se uma área total de 45,4 milhões de hectares para a nova safra.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as projeções para a última colheita de 2023, indicando que a produção de soja no Brasil teria atingido 157,3 milhões de toneladas, alinhada com as estimativas de outras consultorias. O esmagamento do grão chegou a 53,5 milhões de toneladas. Os volumes de produção de farelo e óleo de soja foram mantidos em 41 milhões e 10,8 milhões de toneladas, respectivamente. De acordo com a ABIOVE, o esmagamento de soja nos primeiros sete meses do ano atual atingiu 28,3 milhões de toneladas, um aumento de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Associação estima que o Brasil irá exportar 99 milhões de toneladas de soja neste ano, 22 milhões de farelo e 2,4 milhões detoneladas de óleo de soja.