Chegou a hora do biogás

Agronegócio

Chegou a hora do biogás

Produzido com resíduos agropecuários e dejetos de animais, o biogás gera energias térmica, elétrica e veicular, além de reduzir danos ao meio ambiente
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O agronegócio brasileiro tem um desafio até 2020: produzir 38,2 bilhões de litros de leite, 12,4 mil toneladas de aves e 4,1 mil toneladas de carne suína para suprir o mercado interno e externo. Como maior produtor do setor avícola e o segundo de suínos, o Paraná tem protagonismo importante nestas projeções.

A atenção do agronegócio estadual, entretanto, não deve concentrar-se apenas nesses níveis de produtividade, mas também no volume de energia que é possível produzir a partir da produção do biogás oriundo de resíduos agropecuários e dejetos de animais. Com ele é possível gerar energia térmica, elétrica e veicular (biometano) e, principalmente, diminuir consideravelmente os passivos ambientais nessas cadeias.

Em tempos que a energia se torna um dos produtos mais onerosos nos custos de produção do agronegócio, um número é impactante: O Paraná tem potencial para produzir um bilhão de metros cúbicos de biogás, mas o aproveitamento atual é estimado em menos de 5%, somando pecuária, agroindústria e a indústria em geral. A tecnologia dos biodigestores está inserida no Estado há pelo menos dez anos, entretanto os trabalhos seguem pontuais, principalmente na região Oeste. Algumas cooperativas – como a Lar, Copacol, Frísia, C.Vale e Copagril – possuem ações voltadas à implementação de biodigestores, além de projetos junto a produtores muito bem coordenados pelo Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás (CIBiogás), alocado no Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu.

O pesquisador e chefe da área de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Suínos e Aves de Concórdia (SC), Airton Kunz, relata que a história do biogás no País teve início ainda na década de 1970, "com muitos casos de insucesso". Recentemente o cenário se renovou, principalmente após as novas normatizações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) referentes à geração distribuída e regulamentação do uso do biometano, respectivamente. "A pesquisa está mais padronizada sobre o assunto e a geração de informações acontece de forma mais eficiente. O cenário é positivo e precisamos tratar o biogás como uma cadeia e não um processo marginal", salienta ele, que também tem papel fundamental na Rede Biogás Fert, uma parceria entre Embrapa e Itaipu Binacional iniciado em 2013, que visa gerar soluções tecnológicas para a produção e uso integrados de biogás e biofertilizantes orgânicos e organominerais a partir de dejetos animais nos diferentes sistemas de produção agropecuários.

Entre os gargalos enfrentados nesse trabalho, Kunz cita a logística para a produção do biogás em cadeias animais - "bem mais complexa do que de açúcar e álcool, por exemplo". Outro ponto importante é a capacitação de mão de obra técnica para a implementação desses biodigestores, aumentando a eficiência do processo e, por fim, a aproximação dos atores da indústria nacional no que diz respeito a desenvolvimento de equipamentos referentes aos biodigestores. "Essa capacitação tem que acontecer dos técnicos aos usuários. Eu acredito que o produtor hoje tem essa percepção, e com o aumento de escala da produção animal, o biogás se tornou fundamental para diluir esses custos de energia".

Já para o assessor técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Alexandre Amorim, a evolução desse trabalho com mais eficiência não está relacionada aos custos – "porque o projeto se paga" –, mas na conscientização dos produtores de como um biodigestor pode transformar a propriedade. "Acredito que o principal gargalo está na transferência dessa tecnologia. As cooperativas precisam dar suporte nesse sentido, ajudar nos projetos dentro da propriedade, até que seja possível a operação desses biodigestores. Essa assessoria é fundamental".


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