Chile avança em arroz com menos água e herbicidas

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Imagem: Divulgação IICA
SUSTENTÁVEL

Chile avança em arroz com menos água e herbicidas

Sistema Intensivo de Cultivo de Arroz vem sendo implementado no país
Por: -Eliza Maliszewski

Orizicultores do Sul do Chile avançam no cultivo de um arroz mais sustentável. Eles têm usado o Sistema Intensivo de Cultivo de Arroz SRI (sigla em inglês para System of Rice Intensificaction). Climaticamente inteligente, economiza 80% de sementes, não utiliza herbicidas e usa 50% menos água.

localidade de Parral, localizada a 350 km da capital Santiago, cultiva arroz na forma tradicional de inundação há mais de duas décadas. É a que apresenta a maior produção de arroz do Chile, em torno de 60%. No entanto esse tipo de cultivo demanda pelo menos 1.700 litros de água para produzir meio quilo de arroz, algo insustentável em um cenário de escassez hídrica e mudança do clima mundial.

A seca já avança pela região há 12 anos e as novas tecnologias são fundamentais para seguir viabilizando a produção. Karla Cordero, pesquisadora encarregada do Programa de Melhoria Genética de Arroz do Instituto de Pesquisas Agropecuárias (INIA) do Chile, também é chamada de “The Queen of Rice” (a Rainha do Arroz) e tem liderado a implementação e a adoção do SRI no país, que se apresenta como uma solução concreta aos produtores e permite plantar a seco e de forma intensificada.

A pesquisadora conta que atualmente mais de 10 milhões de produtores se beneficiam dessa metodologia em 54 países. Originário da África, o SRI foi utilizado na América com experiências bem-sucedidas em nações de clima quente, e o desafio foi adaptá-lo a um clima temperado como o chileno.

“As condições climáticas preponderantes na zona arrozeira nacional só permitem o cultivo de arroz tipo japonês, transformando o Chile no produtor do arroz mais austral do mundo. Esse clima frio estimula o crescimento do arroz livre de pragas e doenças, uma vez que elas não prosperam em ambientes de baixas temperaturas, de modo que o cultivo se desenvolve com baixa carga química, livre de pesticidas e fungicidas. Essa característica nos diferencia do resto do arroz cultivado no mundo, que apresenta múltiplas aplicações de pesticidas para que se possa obter um nível produtivo rentável”, indicou.

O trabalho de pesquisa já tem mais 4 anos com foco em gerar dados e informações relevantes para o desenvolvimento desse sistema no Chile e em outros países de clima temperado. Segundo a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, “o SRI é parte de uma reorientação para a produção sustentável, uma vez que permitirá avançar na redução de produtos químicos utilizados no cultivo, eliminando o uso de herbicidas e, ao mesmo tempo, economizando uma importante quantidade da água que atualmente é utilizada para o arroz”.

Há vários anos que o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) trabalha com países como a Nicarágua, a Costa Rica, a República Dominicana, a Venezuela e a Colômbia na promoção, adaptação e validação da metodologia SRI como um caminho possível para um setor de arroz mais produtivo, competitivo, resiliente e de baixas emissões.

No Chile, a produção promove quatro princípios básicos: o cultivo precoce (flexibilidade na data de plantio); a redução da competição entre plantas, pelo controle mecânico de ervas daninhas; a manutenção de solos saudáveis (aeração e oxigenação das raízes); e a alternância de solos secos e úmidos.

Trata-se de princípios que, juntamente com uma semente com características de alto rendimento, melhor qualidade industrial, precocidade e adaptação aos novos cenários de déficit hídrico, constituíram um arroz climaticamente inteligente que, depois de dois anos de testes e estudos experimentais, já está disponível para ser massificada entre os produtores.

Fernando Barrera, especialista em Extensão Rural do IICA, disse que o desafio nessa etapa do projeto é dar continuidade a um processo de pesquisa participativa com agricultores, extensionistas, pesquisadores e agentes de desenvolvimento. “Vamos trabalhar para determinar a estratégia de irrigação em escala agrícola que permita alcançar, de maneira eficiente, uma redução de 50% no consumo de água, o que já alcançamos no nível experimental, ajustando o sistema de plantio a seco para obter um uso mais eficiente das sementes e ter plantas mais vigorosas, resilientes e que permitam estabelecer populações que assegurem altos rendimentos”, indicou.

A meta também é avançar em um sistema de controle de ervas daninhas mecanizado que reduza a dependência de herbicidas e que contribua com soluções mais amigáveis ao meio ambiente, e identificar as linhas genéticas que melhor se adaptem ao SRI para acompanhar todas as mudanças na gestão produtiva com as plantas mais bem adaptadas ao estresse hídrico. “A ideia também é trabalhar em estratégias comerciais que capturem o valor de uma produção mais sustentável e que representa o melhor do nosso mundo rural”, disse Barrera.

Segundo o especialista do IICA, depois da fase experimental, virá uma etapa na qual essa tecnologia será transferida para os agricultores, processo de extensão que contemplará ferramentas e conhecimentos elaborados especialmente para os produtores com o objetivo de gerar impacto e adesão a essa nova forma mais sustentável de produzir.

A iniciativa é financiada pelo Fundo de Inovação para a Competitividade (FIC), do governo regional do Maule, e promove a pesquisa, a inovação e a competitividade no setor. Pretende beneficiar cerca de 1.100 agricultores de arroz, assim como a cadeia associada, que inclui assessores técnicos dos produtores, empresas, organismos públicos chilenos e indiretamente a todos os consumidores de arroz nacional.
 


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