China x EUA: antidumping no frango por mais cinco anos

Agronegócio

China x EUA: antidumping no frango por mais cinco anos

O Ministério do Comércio da China anunciou ontem, 26, que prorrogará as taxas antidumping já incidentes por mais cinco anos, a partir dessa terça-feira.
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O Ministério do Comércio da China anunciou ontem, 26, que prorrogará as taxas antidumping já incidentes sobre o chamado “frango de corte de penas brancas dos EUA” por mais cinco anos, a partir desta terça-feira.

A china apelou para os direitos antidumpings sobre a carne de frango norte-americana em setembro de 2010, ou seja, ainda no primeiro mandato do presidente Barack Obama. Reclamou, então, que a produção era subsidiada e o produto colocado no mercado chinês por preços inferiores aos da produção local.

No ano passado o governo chinês levantou a hipótese de suspender as medidas restritivas em vigor. Mas os estudos desenvolvidos na ocasião levaram à conclusão de que a retirada das taxas antidumping iria prejudicar a produção local da carne de frango. 

Daí, agora, a decisão de manter os direitos antidumping por mais cinco anos, em taxas que, inalteradas, variam, entre 46,6% e 73,8% do valor do produto importado.

A decisão chinesa favorece, sem dúvida, as exportações brasileiras de carne de frango que, além do arranque proporcionado pelas medidas antidumping de 2010, conquistaram ainda maior espaço com o surto de Influenza Aviária enfrentado pelos EUA entre 2014 e 2015.

Até 2009, o fornecimento de EUA e Brasil para o mercado chinês (aqui somadas as vendas diretas para a China e as efetivadas através de Hong Kong) era, praticamente, dividido meio a meio. 

Com o “antidumping”, as exportações norte-americanas passaram a declinar, estabilizando-se entre 2012 e 2014. Mas aí veio o surto de Influenza e os volumes só não zeraram porque Hong Kong continuou recebendo pequenos volumes mensais.

Por seu turno, as exportações brasileiras também se estabilizaram após a alta de 2011. Mas esse resultado é excelente se considerado que as importações chinesas regrediram. Ou seja: em 2009 (considerados apenas os dois países), ficaram próximas das 862 mil toneladas (48% dos EUA; 52% do Brasil). Em 2015 somaram 682 mil toneladas, recuo superior a 20%. Mas o abastecimento norte-americano correspondeu a 16% do total, enquanto o brasileiro subiu para 84%.

Em 2016, até julho, as vendas brasileiras para o mercado chinês superaram as 450 mil toneladas, enquanto as norte-americanas ficaram restritas a 87 mil toneladas. Resultados que, projetados para a totalidade do ano, sinalizam volume em torno de 150 mil toneladas para os EUA e 770 mil toneladas para o Brasil (perto de 40% a mais que em 2015).

Mas as exportações brasileiras para o mercado chinês podem ser ainda maiores. É que, com o surto de Influenza Aviária nos EUA, a China deixou de adquirir matrizes de corte daquele país, seu principal abastecedor na área. E essas reprodutoras fazem falta para a produção interna de carne de frango. Agora e em 2017. E a solução será recorrer a mais importações.


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