Churrasco de domingo é “culpado” por aquecimento global, afirmam especialistas

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Churrasco de domingo é “culpado” por aquecimento global, afirmam especialistas

O tradicional churrasco de domingo está sendo visto como o “vilão” do aquecimento global
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O tradicional churrasco de domingo está sendo visto como o “vilão” do aquecimento global. A carne, desde a criação do animal até a sua chegada à mesa do consumidor, segundo especialistas, é responsável por 65% das emissões de gases de efeito estufa dentro do setor agropecuário, visto a “ineficiência” do sistema produtivo e do Brasil contar com o maior rebanho comercial de aproximadamente 215 milhões de cabeças, sendo quase 30 milhões apenas em Mato Grosso.

O setor agropecuário é responsável por 69% das emissões de gases do efeito estufa, de acordo com estudo do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, rede esta que reúne 40 organizações da sociedade civil. Nesta conta do estudo estão inclusos poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanho, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) aumentaram 3,5% em 2015, saltando de 1,861 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente (CO2e, a soma de todos os gases de efeito estufa convertidos em dióxido de carbono) em 2014 para 1,927 bilhões de toneladas o ano passado.

O aumento é creditado, sobretudo, ao crescimento do desmatamento em 2015. Segundo o SEEG, as emissões por mudanças de uso da terra, considerando todos os biomas, subiu 12%, enquanto o setor da energia, segunda maior fonte de emissões na economia do país, caiu 5,3% com a desaceleração econômica e avanços das energias renováveis.

A pesquisa afirma que desde 2005, quando teve início o desmatamento na Amazônia, até 2015 as emissões da agropecuária tiveram alta de 9%, da energia 45% e as de resíduos e processos industriais cerca de 23%.

O analista de clima e agricultura do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Ciniro Costa Junior, em entrevista ao Agro Olhar, explica que sozinha a pecuária de corte é responsável por 15% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do país. “Mas, esse percentual sobe para 69% se somando o desmatamento para o uso pecuário, somado ao uso da energia elétrica e resíduos usados pelo setor. São várias contas feitas para chegar a um resultado final. Somente o setor agropecuário é responsável por entre 20% e 30% das emissões nacionais, das quais 65% são provenientes da pecuária de corte”.

Conforme o analista de clima e agricultura da Imaflora, o “vilão” em questão na verdade é a “ineficiência do sistema de produção da pecuária de corte e a grande quantidade de animais produzidos no Brasil”. Ciniro Costa Junior pontua ainda que “aumentando a eficiência do sistema de produção da pecuária de corte se tem uma redução na produção de gases de efeito estufa e um aumento, inclusive, na produção de carne”.

Setor discorda

Para o setor produtivo de Mato Grosso tais pesquisas ligadas às emissões de gases de efeito estufa sempre olham apenas para um lado. De acordo com o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, todos os levantamentos quando avaliam o aquecimento global não levam em consideração várias coisas. “Onde o boi pastou, por exemplo, um novo pasto irá nasceu e com isso fazer a fotossíntese. Além disso, em áreas onde você não tem bovinos pastando os casos de incêndio são maiores, como é o caso no Pantanal em áreas sem a presença dos animais e com maior volume de mato”. 

O superintendente da Acrimat afirma, ainda, que o setor vê com preocupação a questão, pois não se levou os dois lados em consideração. “Comparar boi com carro em termos de poluentes é um absurdo”. A pesquisa do SEEG revelou que o setor de transportes é o segundo maior emissor de gases com 11% do total, seguido da indústria (em especial a metalúrgica) com 9% e a produção de energia, incluindo a geração de energia e fabricação de combustíveis, com 7%.

Manzi lembra ainda que o Brasil possui 60% de sua área preservada e é o único país a contar com “reserva legal” por propriedade, além do sistema de integração entre lavoura e pecuária (iLP), lavoura-pecuária-floresta (iLPF) e pecuária-floresta (iPF).

Hoje, segundo estudo da consultoria Kleffmann Group, o Brasil tem 11,5 milhões de hectares com integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Somente em Mato Grosso, são aproximadamente 1,5 milhões de hectares. A tecnologia vem sendo adota mais por pecuaristas. 

Estudo feito pela Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, quanto ao sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em Mato Grosso apontam uma produtividade de até 32 arrobas por hectare na pecuária bovina em um ano.

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