Chuva complica buscas, mas ajuda na limpeza do Rio Paraopeba

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Chuva complica buscas, mas ajuda na limpeza do Rio Paraopeba

Chuva é um fator preocupante durante o período de buscas às vítimas do rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho
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A chuva é, sem dúvidas, um fator preocupante durante o período de buscas às vítimas do rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho. Por outro lado, a ausência dela a longo prazo poderia ser prejudicial à limpeza do Rio Paraopeba e à recuperação do solo atingido pela lama e rejeitos de minério. 

De acordo com o Ricardo Hirata, professor titular do Instituto de Geociências e Diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas (CEPAS) da Universidade de São Paulo (USP), a chuva atua de várias formas em tragédias como essa. “Num primeiro momento, é interessante que não chova, porque o período seco ajudaria na locomoção e no resgate às vítimas”, comenta Hirata. 

No entanto, o professor explica que o Rio Paraopeba possui dois tipos de contaminação, um com sedimentos mais grossos, que envolve vários tamanhos de materiais, e outros mais finos, que é constituído de argilas e silte, mais facilmente transportados pelas águas. “Uma parte desse material está se depositando, mas, com novos períodos de chuva, este material vai ser remobilizado, indo para as águas do rio, ajudando na limpeza”, explica Hirata.
 
Ainda segundo o geólogo, os rios têm boa capacidade de recuperação e de se adequar às novas situações, no entanto, sua margem pode demorar mais para se recuperar. “A lama está encobrindo a margem e, para o solo se recuperar, é necessário que novos materiais orgânicos sejam trazidos pelo rio ou de outras áreas, para que seja criada uma nova vegetação. No entanto, isso leva um pouco mais de tempo”, afirma Hirata.

O professor explica ainda que para que haja um fluxo maior de material orgânico, é necessário que o material denso que encobre o rio seja parcialmente retirado pelas chuvas ou pelo maior fluxo do rio, dessa forma, a água se turvará e terá maior fluidez. Isso também influenciará na velocidade da pluma contaminante no próprio rio. Com as chuvas, a pluma será menos densa e a sua velocidade maior, atingindo áreas mais distantes da tragédia.

Chuva em fevereiro

A meteorologista da Climatempo Graziella Gonçalves explica que, até o fim de fevereiro, a previsão é de chuva bastante generalizada sobre a região de Brumadinho. “A média de chuva para o mês no município é de 157 milímetros, e a estimativa é de que chova aproximadamente 200 milímetros até o final de fevereiro, isso representa aproximadamente 25% a mais do que a média”, afirma a meteorologista.

Consequências da tragédia

A tragédia em Brumadinho pode trazer danos a muito mais pessoas do que se imagina. “Ainda é necessário que seja feita uma avaliação da composição química do material despejado pelo rompimento da barragem. A presença de contaminantes, como os metais pesados, por exemplo, pode representar um fator preocupante”, explica o professor Ricardo Hirata. Os contaminantes terão que ser retirados pelas estações de tratamento para tornar a água potável. Ademais, os metais podem entrar na cadeia alimentar e chegar aos peixes, através de sua alimentação e, caso estejam contaminados, o perigo pode chegar à mesa e ameaçar a saúde dos moradores ribeirinhos.

Com isso, o professor destaca a importância de que seja feita uma avaliação técnica o mais rápido possível. “Depois disso, é necessário que haja o gerenciamento e monitoramento das áreas contaminadas pela lama e pelos rejeitos de minério”, finaliza Hirata.


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