Chuva em excesso aumenta o risco de doenças na fase reprodutiva do trigo
O período reprodutivo é especialmente sensível porque compreende etapas importantes
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A ocorrência de chuvas frequentes durante a fase reprodutiva do trigo aumenta o risco de doenças fúngicas que podem comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos. A combinação de temperaturas amenas a moderadas, elevada umidade relativa, neblina e orvalho intenso criam condições favoráveis ao desenvolvimento de patógenos, especialmente em lavouras que atravessam períodos chuvosos durante o espigamento e o enchimento dos grãos.
Entre as doenças que exigem maior atenção estão a giberela, também conhecida como fusariose da espiga, a brusone, as ferrugens da folha e do colmo, as manchas foliares e o oídio. A ocorrência dessas doenças durante a fase reprodutiva pode provocar perdas na produção e alterações na qualidade industrial do trigo, incluindo redução do peso hectolítro e risco de contaminação por micotoxinas, principalmente em condições inadequadas durante o armazenamento.
O período reprodutivo é especialmente sensível porque compreende etapas importantes para a definição do rendimento da cultura. Desde o emborrachamento e o espigamento até o enchimento dos grãos e a maturação fisiológica, a lavoura precisa manter condições adequadas de desenvolvimento para preservar seu potencial produtivo.
Na região sul tritícola, onde parte das lavouras permanece nessa fase entre agosto e dezembro e nas regiões de clima tropical, de julho a setembro, a frequência das chuvas pode dificultar o manejo fitossanitário e exigir ajustes no planejamento das aplicações de fungicidas.
O risco não depende apenas do volume de chuva. A umidade acumulada no interior da lavoura, influenciada pela densidade de plantas e pelas condições do ambiente, também interfere no desenvolvimento das doenças.
Assim, o Engenheiro Agrônomo Ubirajara Fontoura, destaca a importância em decidir sobre a correta densidade de sementes por ocasião da semeadura. O produtor deverá considerar o poder germinativo (PG), o peso de mil sementes (PMS), as características da cultivar, nível de fertilidade natural do solo para melhor definição da quantidade de sementes/ha. Outro cuidado importante é a correta adubação de cobertura com nitrogênio, evitando excessivo desenvolvimento vegetativo.
A presença de resíduos culturais, o histórico de ocorrência de patógenos e a suscetibilidade das cultivares são outros fatores que precisam ser considerados.
Manejo deve começar antes do aparecimento das doenças
A redução dos riscos depende de decisões tomadas desde o planejamento da safra. A escolha de cultivares adaptadas às condições regionais, a definição da época de semeadura e a rotação de culturas são medidas que ajudam a diminuir a exposição das lavouras a condições favoráveis às infecções.
O ajuste da janela de semeadura merece atenção especial em regiões com histórico de chuvas durante o florescimento. O objetivo é reduzir a possibilidade de coincidência entre os estágios mais sensíveis do trigo e os períodos de maior risco climático.
A utilização da ferramenta de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), permite aplicação de tecnologias e recomendações validadas para sua região. Assim, as práticas como adubação nitrogenada, escolha de cultivares, densidade e época de semeadura e o manejo de resíduos culturais, conforme cada ambiente, poderão ser mais precisas e minimizar a ocorrência de doenças em estádios críticos.
Durante o desenvolvimento da cultura, o monitoramento deve concentrar atenção nas folhas superiores e nas espigas, estruturas importantes para o enchimento e a qualidade dos grãos. A observação frequente permite acompanhar a evolução das doenças e ajustar as estratégias de controle conforme as condições de cada área.
As previsões meteorológicas e os modelos de risco disponíveis em boletins técnicos podem auxiliar nesse processo, principalmente quando associados ao histórico fitossanitário da propriedade e ao nível de resistência genética da cultivar.
O uso de fungicidas integra o manejo, mas não deve ser considerado uma medida isolada. O planejamento das aplicações precisa levar em conta as condições climáticas, o estágio de desenvolvimento do trigo, a pressão de doenças e as características dos produtos utilizados.
Em períodos de elevada pluviosidade, essas avaliações ganham importância para orientar o momento das intervenções e reduzir o risco de falhas no controle.
Outro aspecto relevante é a preservação da eficácia dos fungicidas ao longo das safras. O uso racional desses produtos, associado às demais práticas de manejo, contribui para reduzir a pressão de doenças e evitar uma dependência excessiva do controle químico.
As aplicações devem seguir as recomendações de rótulo e bula, com receituário agronômico e acompanhamento de profissional legalmente habilitado.
Além das perdas imediatas de produtividade, o manejo inadequado pode favorecer a permanência de fontes de inóculo, que representam risco para cultivos futuros. A prevenção também está relacionada à preservação da qualidade dos grãos, especialmente diante da possibilidade de contaminação por micotoxinas.
Em áreas sujeitas a chuvas frequentes no final do inverno e durante a primavera, o acompanhamento das condições climáticas e a integração de práticas preventivas tornam-se fundamentais para reduzir os impactos das doenças.
A combinação entre escolha de cultivares, planejamento da semeadura, monitoramento e controle fitossanitário permite enfrentar períodos de maior pressão de doenças com decisões mais ajustadas à realidade de cada lavoura, contribuindo para preservar a produtividade e a qualidade do trigo até a colheita.