Cientistas publicam estudo inédito sobre liberação da cana transgênica

Agronegócio

Cientistas publicam estudo inédito sobre liberação da cana transgênica

Entre os autores, estão dois pesquisadores paulistas
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Entre os 21 autores do artigo, divulgado em uma revista americana, estão dois pesquisadores de Piracicaba

Um estudo brasileiro inédito, de mais de dois anos de duração, sobre a produção de cana geneticamente modificada (GM) foi publicado na edição atual da revista norteamericana Tropical Plant Biology. O artigo assinado por 21 pesquisadores de todo o País – entre ele dois de Piracicaba – chega ao Brasil como um documento importante para auxiliar no processo de liberação do cultivo da planta transgênica no País.


O professor Antônio Vargas de Oliveira Figueira, da USP Piracicaba e um dos autores do artigo, explica que, além de ser um documento completo, inclusive, com os riscos que a liberação do cultivo da cana GM pode acarretar, a importância do artigo se dá porque ele é consensual. “São pesquisadores especializados no tema de instituições importantes, como a Embrapa, IAC, UFSCar, que apresentam uma discussão consensual das informações que se tem hoje sobre o assunto”, diz.

Hoje no Brasil só existe liberação para produção em larga escala de algumas espécies de algodão, milho e soja transgênicos. No caso da cana, só existe a autorização, por parte do órgão regulador, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério de Ciência e Tecnologia, para experimentos em pequena escala.


De acordo com o especialista, as vantagens que se pode ter com a cana modificada geneticamente é o baixo custo da produção, a resistência da planta a algumas pragas e até a obtenção de derivados alternativos, como, por exemplo, tipos diferentes de açúcar que não são possíveis pela cana natural.

Em contrapartida a estes benefícios, estão os impactos ambientais da produção destes organismos transgênicos. Um dos mais apontados pelos ambientalistas, por exemplo, é o perigo do escape do pólen e, eventual cruzamento da planta modificada com outras variações da cana, o que acarretaria na redução da diversidade da planta. “Este risco, aqui na nossa região é praticamente nulo porque a nossa cana não floreia, ao contrário do que acontece em algumas regiões do Nordeste, por exemplo”, aponta Figueira.


Estas questões todas são levantadas no artigo. “Há, por exemplo, um levantamento das plantas capazes de se reproduzir com a cana transgênica e as regiões onde elas estão. O artigo é a favor da cana transgênica, mas ele aborda os pontos que ainda precisam ser investigados”, explica Figueira.

Para o pesquisador, o artigo deve ser considerado pela CTNBio na tomada de decisão sobre o a regulamentação da cana transgênica no Brasil e o documento representa um avanço nesse sentido.

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