Na região de Lajeado, especialmente no Vale do Caí e no alto Vale do Taquari, onde a maior parte dos pomares está concentrada, os citricultores enfrentam desafios durante a entressafra. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (01/02) pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), a maioria dos pomares de citros está temporariamente fora de produção, com apenas alguns municípios ainda dispondo de frutas provenientes da conservação em câmaras frias e de pomares que produziram fora da época normal, devido aos desequilíbrios causados pelos três anos consecutivos de estiagens e pelo excesso de chuvas, provocado pelo fenômeno El Niño.
Até o início de janeiro, as condições climáticas foram desfavoráveis para o adequado florescimento e pegamento dos frutos. O excesso de chuvas impossibilitou tratamentos fitossanitários ideais, levando a uma queda excessiva de frutos jovens antes do pegamento definitivo. Isso resultou em menor número de frutos por árvore, reduzindo as expectativas de produtividade, especialmente para a laranja. Para as variedades de bergamota, há um menor volume de raleio, mas há preocupações quanto à possível redução na produtividade.
Durante este período, as atividades se concentram no raleio de bergamotas verdes, iniciado na primeira quinzena de janeiro e intensificado, especialmente na variedade de bergamota Caí. As atividades de manejo incluem podas de raleio de galhos em bergamoteiras, adubação de verão para beneficiar a produção, manejo da vegetação das entrelinhas para facilitar o raleio e evitar acidentes com animais silvestres, além de pulverizações de prevenção para evitar a doença pintapreta, principalmente em variedades tardias de laranja e bergamota.
Os preços médios pagos pelos frutos verdes de bergamota destinados à indústria de óleos essenciais permanecem em torno de R$ 15,00/cx. de 25 kg ao produtor, em Harmonia. Destaca-se a prática de remuneração diferenciada de algumas indústrias, que oferecem bônus para fidelizar os produtores. Quanto à lima ácida Tahiti, seu preço varia de R$ 30,00 a R$ 35,00/cx. de 25 kg, conforme relatado em Harmonia.
Em outras áreas, como em São Gabriel, na região de Bagé, os produtores de citros enfrentam a ocorrência significativa de queda de frutos imaturos, atribuída ao excesso de chuvas nos últimos meses. Em Soledade, os citros estão em fase de formação de frutos, com os produtores realizando manejo dos pomares através de roçadas, segunda adubação e tratamentos fitossanitários, incluindo a atenção à ocorrência frequente da larva-minadora-dos-citros nas brotações jovens.