Agronegócio

Clima prejudica safra de cana-de-açúcar do PR

Volume de chuvas na segunda quinzena de setembro afetou a produção
Por: -Ricardo Maia
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Alcopar aponta redução de 1,5 milhão de toneladas do potencial produtivo na segunda quinzena de setembro

O volume de chuvas na segunda quinzena de setembro afetou a produção de cana-de-açúcar no Paraná. O potencial produtivo das lavouras paranaenses é de 3,6 milhões de toneladas por quinzena, mas foi reduzido para 2,1 milhões de toneladas. A situação tende a piorar, já que, para a primeira quinzena de outubro, a moagem paranaense deve ser inferior a 2 milhões de toneladas.


José Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), explica que entre 2 e 3 milhões de toneladas de cana deverão ficar nas lavouras por causa dos efeitos do clima, devendo ser colhidas somente na próxima safra, o que o setor denomina de cana bisada.

Mesmo tendo um maior prazo para colher, Dias explica que essa cana não irá crescer mais. Com isso, o custos de produção irão aumentar porque os produtores terão que continuar aplicando defensivos e adubos para manter as plantas sadias.

A produção no Estado deverá ficar abaixo dos 40 milhões de toneladas estimadas no início desta safra. "As condições climáticas estão atípicas. No começo do ano, tivemos uma seca muito grande e, em plena safra, um excesso de chuvas", lamenta Dias. Ele ressalta que o setor não esperava essa situação.


A diminuição da oferta da matéria-prima deverá reduzir – consequentemente - a produção de açúcar e etanol no Estado. Segundo dados da Alcopar, neste ano, o Paraná espera processar 3,2 milhões de toneladas de açúcar, 200 mil toneladas a menos se comparado com a primeira estimativa da safra 2013/14. Para o etanol, a projeção passou de 1,4 bilhão para 1,3 bilhão de litros. Com essa redução, Dias observa que o preço do combustível começou a aumentar nas usinas, oscilação natural do desequilíbrio entre oferta e demanda.

Hoje, o litro do etanol nas usinas paranaenses está sendo comercializado a R$ 1,17. Há dois meses, antes da ocorrência das chuvas, o preço era de R$ 1,13. O superintendente da Alcopar destaca que o valor mais baixo da commodity foi registrado no começo da safra - em maio - com o litro do etanol na usina a R$ 1,08.


Dias observa que os preços nas bombas de combustíveis ainda não aumentaram por causa da competição comercial das distribuidoras, mas pode haver aumento daqui para frente. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do litro de etanol praticado nos postos de Londrina entre os dias 29 de setembro e 05 de outubro ficou em R$ 1,874, com mínima de R$ 1,800 e máxima de R$ 1,899 o litro.

O preço do açúcar também apresentou reação no mercado interno. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o valor da saca de 50 quilos de açúcar cristal posta no mercado paulista fechou na última quinta-feira a R$ 22,91, contra R$ 21,98 no mesmo dia da semana anterior.
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