O mercado de morango no Rio Grande do Sul apresenta diferenças regionais, com preços de até R$ 50/kg na venda direta ao consumidor e impactos das condições climáticas sobre a produção. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (29), a baixa luminosidade e a umidade elevada têm limitado a oferta em algumas regiões e favorecido a ocorrência de doenças nas lavouras.
Preços do morango variam entre as regiões gaúchas
Na região administrativa de Caxias do Sul, a oferta permaneceu em volumes medianos na última semana. Os preços recebidos pelos produtores seguem relativamente estáveis, com valores entre R$ 20 e R$ 30/kg na comercialização para Ceasas, intermediários e mercados. Na venda direta ao consumidor, os preços variam de R$ 25 a R$ 50/kg. Já o morango congelado é negociado entre R$ 12 e R$ 15/kg.
Em Feliz, na região de Lajeado, a produção está normal. Relatos dos produtores indicam que a colheita da última semana foi excelente, assim como os preços, que variam entre R$ 30 e R$ 35/kg, conforme o mercado local.
Na região de Pelotas, os preços oscilam entre R$ 22 e R$ 40/kg, de acordo com a qualidade dos frutos. O morango congelado é comercializado a um preço médio de R$ 10/kg. A continuidade da Feira do Morango no município aumentou a procura, favorecendo a comercialização e a rentabilidade dos produtores.
Em Agudo, na região de Santa Maria, os frutos são vendidos entre R$ 40 e R$ 50/kg. Nos pontos de venda instalados às margens da BR-287, especialmente nos finais de semana, o morango fresco custa aproximadamente R$ 50/kg. O produto congelado é comercializado por cerca de R$ 25/kg.
Na região de Santa Rosa, o preço médio recebido pelos produtores permanece em torno de R$ 35/kg.
Clima interfere na oferta e no desenvolvimento do morango
Em Caxias do Sul, várias lavouras implantadas nos últimos meses com mudas de origem espanhola apresentam desenvolvimento vegetativo adequado, mas ainda não iniciaram a colheita. O volume produzido nesta época do ano está bem abaixo do habitual, indicando atraso significativo nos picos de floração e produção em comparação com anos anteriores.
Em Santa Rosa, a baixa luminosidade limita a emissão de novas floradas e reduz o ritmo de produção, com reflexos diretos na oferta. Apesar disso, os frutos colhidos apresentam bom calibre, baixa acidez e excelente padrão visual e comercial.
Em Agudo, alguns dias ensolarados na última semana favoreceram o desenvolvimento da cultura, que segue em plena fase produtiva.
Umidade elevada aumenta o risco de doenças nas lavouras
Na região de Lajeado, especialmente em Feliz, a elevada umidade relativa do ar e o prolongamento do molhamento das plantas aumentam o risco de mofo-cinzento (Botrytis cinerea) e manchas foliares. Essas doenças podem provocar perdas de frutos e reduzir a qualidade comercial.
Em Pelotas, a combinação de umidade elevada, precipitação e baixa radiação solar favorece o aumento da incidência de doenças fúngicas, como mofo-cinzento (Botrytis spp.) e oídio. Também persiste a presença de ácaro-do-enfezamento, que causa danos significativos às plantas.
Em Santa Rosa, foram registrados ataques pontuais de ácaros e doenças fúngicas, principalmente antracnose e podridões, que exigem acompanhamento constante das lavouras.