CMN vai definir preço de referência para o café


Agronegócio

CMN vai definir preço de referência para o café

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O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, informou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá na próxima semana em reunião extraordinária, o programa de contrato de opção do café. O preço de exercício vai ficar próximo ao custo de produção, estimado pela Embrapa em R$ 196 a saca (arábica).

No entanto, o setor produtivo e o mercado comprador divergem quanto ao real custo de produção. Para os cafeicultores do Sul de Minas, o valor de referência deveria ser entre R$ 220 e R$ 250 a saca, porque os gastos com a safra dobraram, já que os insumos foram adquiridos quando o câmbio estava mais alto.

Mas o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, diz que os compradores questionam o valor da Embrapa, acreditando ser muito alto, pois estaria englobando o chamado custo fixo. O analista diz que, no mercado, o mais comum é usar o custo o variável, que estaria em R$ 165 a saca, no Sul de Minas. "O mercado já está absorvendo um preço de exercício abaixo de R$ 200."

Para João Pulit, presidente da comissão do café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), se o preço de exercício for igual ao custo, não vai valer a pena contratar as opções porque depreciaria o valor de venda do produto. "O parâmetro de mercado era R$ 220 a saca." Na avaliação de Pulit, os contratos serviriam para balizar o preço futuro, uma vez que já estaria sendo negociada a saca a preços de R$ 135 no Sul de Minas Gerais.

Segundo Pulit, isto indica que o produtor está tendo prejuízo. "Precisamos do mecanismo, que talvez nem seja exercido, como garantia de que não vamos vender abaixo do valor", diz o presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Carlos Paulino.

Pulit diz ter consciência das dificuldades econômicas do governo, mas que a gestão passada, ao apoiar 40% da safra havia conseguido provocar reação no mercado e, na atual, o nível de interferência será de só 10% da produção. Há estimativas de uma safra de 29 milhões de sacas.

Segundo o representante da CNA, as opções são necessárias porque, apesar de a safra atual ser menor, ainda há muito estoque no mercado internacional, provocando queda nos preços. "Se não se preocupar agora, no ano que vem vai ser pior." Para Barabach, se a redução nos valores de exercício indicarem que o governo apoiará quantidade maior, já seria interessante para o setor em termos de reação de preço.


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