Cobertura verde em vez de herbicida beneficia pomares em SP
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Agronegócio

Cobertura verde em vez de herbicida beneficia pomares em SP

Produtores paulistas que estão testando o manejo têm obtido bons resultados, como melhor produtividade no pomar
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O citricultor Paulo Sergio Moreira Junqueira, de Mococa (SP), não aplica herbicida em seus 105 hectares de laranja há seis anos e garante que sua produção nunca esteve tão boa. "De 1998 para 1999 notei queda da produção e fui buscar uma explicação", conta ele, que hoje produz, em média, 970 caixas de 40,8 quilos/hectare, ante 560 caixas/hectare produzidas quando ele ainda aplicava 1200 litros de herbicidas/ano.

Junqueira faz parte do grupo de cerca de 50 produtores que passou a adotar um manejo diferenciado no pomar, que substitui total ou parcialmente a aplicação de herbicidas por cobertura verde. O manejo é baseado em pesquisas conduzidas pelo Instituto Internacional de Nutrição de Plantas (IPNI), que buscava entender por que culturas de milho, soja e citros não respondiam à adubação após a suspensão do uso de glifosato, herbicida sistêmico não seletivo (mata qualquer tipo de planta) usado em plantio direto e culturas perenes.

"O uso indiscriminado pode estar favorecendo o aparecimento de pragas e doenças e reduzindo a resistência à seca, devido ao mau desenvolvimento radicular das plantas", diz o diretor do IPNI, Tsuioshi Yamada, com base na literatura científica e em ensaios realizados por produtores e estudantes. "É essencial estimular o uso cauteloso para produzir com segurança."

O IPNI tem convênio empresa-escola com a Esalq/USP, que permite o intercâmbio de informações entre instituto, estudantes e professores, e difunde o manejo entre produtores de vários municípios do Estado.

Plantio Direto

Yamada explica que o manejo alternativo segue os conceitos do plantio direto na palha. "A idéia é ter o mato como aliado, aproveitando-o como adubo verde, fonte de matéria orgânica e reciclador de nutrientes." Com a roçadeira "ecológica" - calcula-se que 80% dos citricultores paulistas já tenham o equipamento - o mato é jogado da "rua" para debaixo da saia das árvores. Esta cobertura evita perda de umidade do solo, inibe a brotação de plantas invasoras e ainda libera nutrientes minerais.

Yamada recomenda adubar o mato que será cortado e usado como fertilizante. A dica é aproveitar o mato "que já está aí" - no caso, as braquiárias - e fazer calagem, adubação completa (nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes) e aplicar gesso. "Quando o sistema estiver com alto teor de matéria orgânica o produtor pode cultivar outras espécies além das braquiárias, como amendoim forrageiro, ervilhaca e nabo forrageiro."

Esponja

Segundo o engenheiro agrônomo Marcio Antonio Storto, pomares convencionais recebem cerca de 3 litros de glifosato/hectare duas vezes por ano. "Ele é neutralizado no solo, mas não na planta. Passa do mato que está morrendo para a planta que está nascendo."

Storto, produtor de tangerina em Leme (SP), parou de usar glifosato em 2003, após de notar queda acentuada de frutos 20 a 30 dias depois da aplicação do herbicida. "Cheguei a perder 20% da produção."Hoje, com o novo manejo, diz que a produtividade cresceu 30%. "Aplico gesso, calcário, boro e passo a roçadeira ecológica, que deposita o mato embaixo da árvore e serve de adubo." Storto, que tem área de 9 hectares, produz cerca de 30 toneladas da fruta por ano.

Junqueira compara o solo coberto com matéria orgânica a uma esponja. "Um grama de matéria orgânica retém 6 gramas de água no solo." Ele conta outra vantagem do solo coberto: "Antes, um conjunto de pneus durava até 3 mil horas de trabalho; hoje, a mesma máquina está indo para 12 mil horas de trabalho."


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