Colheita de trigo chega a 40,3% no país
Principal preocupação dos agentes do mercado está relacionada à qualidade industrial
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O excesso de chuvas no Sul do Brasil aumentou as preocupações com a qualidade do trigo da safra 2026, em um momento de avanço da colheita nacional. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentados no boletim Agro Mensal do Itaú BBA, 40,3% da área brasileira havia sido colhida até o levantamento divulgado em outubro.
A principal preocupação dos agentes do mercado está relacionada à qualidade industrial do cereal. As precipitações frequentes favoreceram a ocorrência de doenças de espiga e ampliaram as incertezas sobre características como peso hectolítrico, germinação e força de glúten, fundamentais para o atendimento das exigências da indústria moageira.
No Rio Grande do Sul, a colheita estava em fase inicial, enquanto grande parte das lavouras permanecia nos estádios de enchimento de grãos e maturação. A combinação de volumes elevados de chuva e baixa radiação solar aumentou os riscos para o desenvolvimento final da cultura e para a qualidade do produto.
No Paraná, os trabalhos estavam mais adiantados e a maior parte das lavouras apresentava boas condições. Entretanto, a continuidade da colheita dependia da ocorrência de períodos de tempo seco. Em Santa Catarina, as áreas mais precoces começaram a ser colhidas, também sob preocupação com a umidade elevada.
Em outras regiões, o andamento da safra apresentou situações diferentes. São Paulo registrou atraso na colheita em relação à temporada anterior, enquanto Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul já haviam concluído os trabalhos.
No mercado internacional, os preços do trigo apresentaram volatilidade em razão das restrições logísticas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia. O trigo soft negociado em Chicago encerrou o período analisado em 671 centavos de dólar por bushel, refletindo as incertezas sobre os fluxos de exportação da região do Mar Negro.
Apesar da disponibilidade de trigo na Rússia, as dificuldades de escoamento limitaram embarques e contribuíram para elevar preços em outras origens exportadoras. As alternativas de transporte pelo Mar Báltico ajudaram a moderar as cotações, mas não representaram a normalização das operações pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov.
As perspectivas internacionais indicam um balanço de oferta e demanda mais ajustado na safra 2026/27. Conforme a avaliação do Itaú BBA, a produção mundial deverá ficar abaixo do consumo estimado, reduzindo a disponibilidade após duas temporadas de maior oferta.
Na Argentina, principal fornecedora externa de trigo ao Brasil, as condições das lavouras eram favoráveis no início de outubro. Cerca de 91% da área apresentava condição hídrica adequada ou ótima, enquanto 64% das lavouras estavam classificadas como boas ou excelentes. A expectativa de elevada disponibilidade argentina poderá ampliar as alternativas de abastecimento dos moinhos brasileiros.
No mercado doméstico, a qualidade do trigo colhido deverá assumir papel importante na formação dos preços. Caso sejam confirmadas perdas qualitativas nas regiões produtoras, a disponibilidade de lotes que atendam às especificações industriais poderá diminuir, ampliando a disputa pelo cereal de melhor padrão e os prêmios associados à qualidade.